...Travelling since 1997...·Tripspottings. [tripspפּtiŋ]: The act of travelling through your memory using travel logs, diary entries, postcards, photographs, emails, letters, brochures and images…
·Tripspotting No ponto de vista da Guida: "Olha, o Tripspotting é a versão portuguesa do Travelling Oncle Matt dos Fraggles!" Nem mais... BEM-VINDOS A BORDO!
Mais parece o título de um vídeojogo pacóvio, mas foi o meu singelo e bem á letra período de férias. Passear, banhar-me no rio, balançar na rede, ver a casa nova pronta a habitar com janela para uma vista magnífica.
Esta T-shirt descreve na perfeição o mote da minha viagem kamisake por terras dos kilts e de sua majestade. Bandas em tournée são as melhores desculpas para viajar. O meu plano para visitar a Itália ficou adiado, mas foi uma grande alegria voltar a pisar solo escocês, a minha adorada Edinburgh (lê-se Edinbra)perante um esplêndido sol e maravilhosas experiências marcianas!
Fui muito bem recebida pela restante comunidade "marciana", tive oportunidade de conhecer alguns membros na véspera do concerto, outros tantos no fórum oficial. É incrível a diversidade de nacionalidades nos concertos, pessoal completamente na bancarrota (como eu) para poder seguir a banda na estrada. Para variar apanhei o barco a meio, este ano faço parte do Echelon - Bankrupt Division, para o outro farei parte da "Band Aid Division"
A sala Corn Exchange é extremamente pequena, penso que menor que a Aula Magna e consegui ficar na segunda fila, no canto esquerdo, perto do Tomo. Foi um concerto fantástico, incrível química com o público. Atrevo-me a dizer melhor que a segunda actuação da banda em Portugal. O Jared estava feliz da vida e fartou-se de falar.
Feliz da vida estava eu por conseguir VER o Shannon. A bateria estava num estrado muito acima do habitual e durante 4 canções, tive-o debaixo de olho, até os empurrões começarem e ser arrastada mais para a esquerda.Eis a única foto possível.
Como seria de esperar, a sua batida foi sentida de muito perto por estar de frente ao sistema de som. Quase desintegrei quando se ouviu "Oh Fortuna". Graças aos santinhos tinha à mão os auscultadores do mp3 que permitiram desfrutar o concerto ao máximo. Tomo a tocar é incendiário, então com as orelhas de coelho estava mesmo a matar! Adoro como o cabelo faz parte da sua actuação.
A pedido do Shannon, Jared requisitou espaço no fosso para fazer a "dance of speed", moshe circular que, curiosamente, não causou tantos empurrões como no momento em que Jared decide "voar" para o público e fazer o característico Crowd Surfing, aliás proibido naquela sala de espectáculos.
O grito desesperado "EDGE OF THE EARTH" é meu! E quase resultou, caneco! O gajo ainda tocou 2 versos que me deixaram á beira da histeria, mas optou por tocar "Echelon". Ele está quase a ser quebrado, mais pressão e toca "Edge of the Earth" como se não houvesse amanhã!
A energia do público e da banda nota-se perfeitamente nos vídeos. Maravilhosa a participação do público a cantar "the Kill" em versão acústica para depois arrancar em versão eléctrica (e como!). Foi tocado um tema novo "Pressure", pelo que sei, apenas é tocado ao vivo.
Desta vez não consegui as pulseira de acesso à sessão de autógrafos, a rapariga ao meu lado ficou com a última, mas tive oportunidade de usufruir da companhia dos rapazes no estacionamento. Dezenas de pessoas esperaram cá fora e é incrível a quantidade de tempo que eles estiveram com os fãs, ora a assinar, posar para fotos, ora simplesmente falar. Até o baixista provisório, Tim, veio cá para fora assinar.
Os irmãos Leto brincaram com a situação.
"Hey, Tim is out! Who let him out?!" "Don't know and has a pen and everything!"
Por razões que escapam o meu consciente, não aproveitei esta ocasião, apenas fiquei cá atrás a desfrutar a vista (aqueles olhos mel do Shannon dão cabo de mim)e confraternizar com os restantes fãs. Consegui abeirar-me do Shannon e entregar-lhe as fotos do Coliseu que o Jared tanto gostou. Tinha a porra de uma mala gigante á frente e não conseguia chegar junto da barreira. Com medo que o Shannon se fosse embora (nada mais errado, ficou cerca de 40 minutos, gritei "HEYYYYYYYYYYYYYYYYY!!!" e entreguei-lhe o envelope azul que se vê na foto. Ele olhou para mim como se fosse uma extra terrestre com anfetaminas pois falei a 100 a hora, tal era a ansiedade.
Obviamente, sofro de falta de capacidades sociais. PIOR, sou uma IDIOTA!
Na véspera do concerto, a caminho de Carlton Hill com o meu amigo Dean, dou de caras com o Jared Leto que vinha da mesma colina. Olhei-o fixamente e até soltei um "ah!", ele lançou o olhar "sim?!", mas enquanto as minhas lentas células cerebrais congeminavam: "Pera, será que apontei, seria mau aspecto. É melhor não abordá-lo assim à bruta dá ar de perseguidora...", o gajo foi-se embora, calmamente, colina abaixo com as mãos nos bolsos.
O Dean olha para mim, surpreso: "Hey, that was Jared Leto, the actor!" A minha resposta em penosa frustação "I KNOW! That's also the singer of the band I came here to see!!!!!"
Só nessa altura fez-se PLIM na minha cabeça (demasiado tarde, acrescente-se) e lembrei-me que tinha na mochila as fotos para ele. Tinha o estúpido envelope 20x30que tanto estorvo causou dentro da mala durante a viagem, com as mesmas fotos que foram a causa para ele me pedir o email no caso de querer cópias, e o que é que faço?!
Congelo à sua frente, enquanto o gajo se vai embora!
O Dean aconselhou-me a ir atrás dele, e por momentos, imaginei-me a correr colina abaixo atrás do Jared, agitando um enorme envelope azul no ar, mas pareceu-me tão patético que desisti. Podia culpar o jetlag e o facto de ter pernoitado no aeroporto de Londres, mas...sejamos honestos.
SOU UMA IDIOTA!! Ou então, aqueles enormes e enebriantes olhos azuis do Jared são raios congelantes destinados a imobilizar fãs chatas! HAHAHAAHHAHAHAH Quando mandei um sms à Ana Ruth para contar o que aconteceu, ela respondeu (e bem!)
"Faltou aí o meu RÁPIDO raciocínio!"
Nem vou contar a história de como fui a única fã no exterior no concerto de Londres porque cheguei demasiado tarde para aproveitar a oportunidade de uma portuguesa que veio ao concerto com um bilhete a mais. Maldito tempo perdido á procura da Temple Church que estava fechada quando finalmente a encontrei! ARGHHHHHHHHHHHH!
As fotos que tirei não estão tão boas como as de Lisboa, mas tendo em conta que os meus pés não estavam no chão, os meus braços estavam presos dos lados e, volta e meia era empurrada, é um pequeno milagre ter conseguido fotos decentes. Bendita redução de vibração da lente. Foi igualmente um milagre não ter sido apanhada com a máquina pois houve revista e máquina de leitura de metais! Fiz uso da Força tal como o Obi Wan Kenobi "Let her go, there's nothing suspicious in this bag". Uff.
Ou COMO PASSEI CINCO DIAS A LAUREAR A PEVIDE EM EDINBURGO e LONDRES À CONTA DOS 30 SECONDS TO MARS!
Há anos planeava mais um regresso à Escócia, ao receber a confirmação que a banda tocava lá, e sabendo da promoção da Easy jet, fui logo para as reservas. Voilá!
Cinco dias de errante loucura, com destino a Edinburgh (AYE!) e Londres. Operation: 3 days to 30 seconds está em curso. Horas e horas e seca em aeroportos e filas de espera, refeições em movimento, muitos quilómetros percorridos, pés de chinelo na pendura, momentos bizarros em hostels com demasiadas camaratas.
ou... Missíon Éclair
(que é como quem diz "Missão Relâmpago"
Como Começou...
From:
"Dário”
To: "ruth”
Date: Sat, 3 Mar 2007 12:08:52
Oi gaja!
3a feira vou ver o Damien Rice em Lyon... keres vir? :)
D
On 04/03/07, ruth wrote:
já esta terça? há bilhetes? um bocado apertado, mas vou ver
o preço das viagens. Onde ficas?
bjos rute
From:
"Dário”
To: "ruth“
Date: Sun, 4 Mar 2007 17:49:53 +0100
Sim, e tenho um para ti!
Eu volto para Genebra, está a 1h e meia de minha casa!
On 05/03/07, ruth wrote:
Dário José...dário josé
(Tu matas-me!...e ainda me deixas mais pobre)
É assim, estive a ver na easy jet
e apenas há voos para genebra (nada para lyon). Isso pressupunha que me viesses buscar porque de genebra não sei nada
(a não ser que fica na suíça). O voo de volta é às 17, dava para conhecer um
pouco de genebra, mas eu tinha de ficar contigo.
Esta brincadeira custaria 200
euros, o que é puxado (especialmente para os
pobres que pagam renda) mas, como sou maluquinha e, em princípio, tu
podes acompanhar-me e ceder a dormida e a boleia, estou inclinada para o sim
MAS...isto tem de ficar bem combinadinho.
Depois é esperar que o damien rice
dê um concerto do car*lh*to porque vai custar caro!!!!!!
Dá-me o teu número e logo se vê se perco o tino ou não...
Bjos
Rute
p.s - seu satanás! lol😄
From: Dário
Date Mon 3/5/2007 11:54 AM
To: ruth
Ola gaja,
Então é assim:
- podes ficar lá em casa não há crise (desde que tragas pasteis e
essas cenas da tugalandia).
- de Genebra a Lyon vamos de popó... saimos daqui às 6 da tarde e
estamos la quando começa o concerto. voltamos depois do show, o que
deve ser por volta da meia noite, 1 da manha...
- podes passar o dia em Genebra ou ficar um ou dois dias mais (OK, até
6a pois depois vou bazar...)
- dormida, boleia e visita guiada a Genebra, está incluído,
- se encontrares outro/a maluco/a e quiseres trazer, também não há
crise, há espaço para mais pessoal.
- o voo de Lisboa tem de ser pela manha (sai às 8/9h da manhã),
posso-te ir buscar ao aeroporto e deixo-te em casa com as chaves.
Este é o título de um filme que reúne um conjunto de curtas metragens de conhecidos realizadores e é igualmente o estado de alma ao visitar a cidade luz depois de um overload de beleza arquitectónica de Paris.
Podia fazer isto ao estilo de José Hermano Saraiva, blá blá blá, yadda yadda, mas para isso é que servem os "Videologs" e os postalitos que mandamos para os amigos...
Entre Lisboa e Viana do Castelo estão dezenas de cidades, uma delas o Porto. Foi esse o meu destino antes de visitar o João em Viana do Castelo, aproveitando o convite feito em 2003 quando, feitos malucos, fomos a Espanha para ver Placebo ao vivo. A viagem para o Porto foi calma, as horas que antecederam a viagem, nem por isso. Uma directa de caixão para a cova, com o cartaz para colocar online e o computador a funcionar a 1km por hora (literalmente).
Com apenas 10 horas para ver o melhor do Porto, não tendo ideia o que visitar ou como lá chegar, meti-me na primeira loja que encontrei e perguntei: “Como é que vou para a baixa?”
“Desce a Av. dos Aliados e vira à esquerda”, foi a resposta. Fiquei com o olhar suspenso na mulher para ver se percebia que eu não fazia ideia onde raio era a Av. dos Aliados. Se ela pensasse melhor chegaria à conclusão que... se soubesse não perguntava, certo?
Conselho sábio para quem viaja sem um itinerário. Metam-se no primeiro centro de turismo, arranjem um mapa e brochuras que para a frente é o caminho. Neste caso para baixo. Isto quando as folhas com sugestões de percursos que pedimos à Maggie para imprimir, estão um nadinha descoloradas e com páginas em falta...
A pousada da juventude onde passei a noite era um mimo, na Foz com vista para o rio, mas devia de rever a política de check in às 18h. Hello?! Nada que eu e a minha mala Sport Billy não resolvêssemos. Tal como Super Homem em busca de uma cabina telefónica para desvendar a sua entidade de super herói, a comum mortal Rute entra na casa de banho pública e num ápice desvenda o seu alter eu: Super Traveling Ruth. Soa bem.
A última vez que estive no Porto, a cidade era lúgubre, não havia metro, nem nada de interessante para a além da Ponte D. Luís. Quinze anos depois, o Porto é património mundial, o metro de superfície é uma realidade e percebo que tinha estado em Vila Nova de Gaia e não no centro da cidade invicta que é muito bonita. Usando a palavra descrita nas brochuras: “cidade romântica”. E é mesmo, pela contagem de casais no marmelanço que vi no mosteiro à entrada de Vila Nova de Gaia.
Andei, andei, andei...( da Foz até ao Cais da Ribeira) subi a Macieirinha (sítio muito manhoso) até ao Palácio de Cristal, ascendi até à Torre dos Clérigos e durante todo este tempo interrogava-me: “Onde raio está a ponte D. Luís?!!?” É que nem no topo da Torre dos Clérigos se via a ponte... A resposta surgiu depois de passar pela Sé e a Muralha Fernandina. Ali estava ela, a ponte construída por Gustave Eiffel, o mesmo da Torre com o mesmo sobrenome.
Do cimo da colina até cá abaixo, valeu-me o elevador modernaço que parecia despenhar-se a qualquer momento.Nem precisei comprar bilhete, uma simpática senhora espanhola deu-me o seu bilhete, e lá fui eu para o cais da Ribeira. Ainda estava com ganas de visitar o Palácio da Bolsa, mas assim que bateram as 7h já estava no cimo da colina. Ufa
Bem-Vindos a Viana do Castelo, a terra das mil cruzes e cruzetas
Às 8 da matina já estava no comboio para Viana do Castelo e às 10.30, subia os trezentos e muitos degraus até ao cimo de Santa Luzia. No início do “escadório” está a seguinte inscrição: “Meu Deus, ajudai-me a subir”...Com aqueles degraus todos, a ajuda divina vem a propósito...
Felizmente a Super Travelling Ruth é tal e qual os escuteiros ao seguir o lema “Estar sempre preparado”. Se dependesse do jovem cicerone João, ficaria na estação de comboio até às 9 da noite, uma vez que o nosso jovem amigo percebeu que chegaria às 9 da noite e não da manhã!
Esta juventude...
Quando me vieram buscar já tinha corrido metade das igrejas, fortalezas, baixa, jardins e até centro comercial. E ainda saí à noite com os amigos do João, a sítio porreiro chamado Cruzinha.
Porquê esse nome?...
Viana do Castelo tem, com excepção do Vaticano, a maior concentração de igrejas e cruzes, espalhadas por todo o lado. Fui informada que tal facto se deve à proximidade com Santiago de Compustela e as cruzes representam calvários.
No Sábado enquanto o jovem João dormia, a Super Travelling Ruth, divertia-se na praia, fotografando ou comendo cerejas do tamanho de ameixas. Depois... bem, depois veio a ideia da fogueira na praia, à noite. Aqui estão duas palavras que não ligam comigo: praia e noite, mas no espirito da aventura lá fui com a promessa que no Domingo, de dia, voltaríamos à Cruzinha onde se podia vislumbrar Espanha.
Infelizmente, a juventude preferiu dormir em vez de laurear a pevide. Mas, nem tudo estava perdido...ou melhor Perdidos, a série estava quase a começar. Foi então que aconteceu o impensável. Da boca do João que acordou (leia-se foi acordado) à hora do almoço, saiu a frase: “É só uma série de televisão! Não vamos ficar a ver.”
COMO ASSIM?!!? NÃO VAMOS FICAR A VER. ESTÁS PARVO OU QUÊ?! EU ESGANO-TE AQUI MESMO!
Apesar das letras garrafais, isto foi o que pensei e não o que disse. Porque:
a)estava combinado ir à Cruzinha e, em tempo de férias, a tv não está acima itinerários turísticos (mesmo que seja a série “Perdidos”!)
b)A mãe do João era a minha boleia e não seria de bom tom, esganar o seu filho.
c)O episódio repetia da terça.
Moral da história: Nunca confiar na juventude e sempre – SEMPRE– verificar alternativas de transporte para fugir ao terrível síndroma de domingo:(not) dolce faire niente que se abateu na cidade de Moledo do Minho.
A caminho de Lisboa, a Super Travelling Ruth pensava: “We will always have friday!”
Eu e a mala sport billy estamos on the road again. “Viaje para fora, cá dentro” é o lema para este ano, já que o dinheiro não abunda, os dias de férias idém idém e há muito de Portugal que não conheço. Trás-os-Montes foi o destino e há falta de pessoal para me acompanhar, peguei nas mochilas e no tripé e fiz-me à estrada – no Terminal Rodoviário de Sete Rio, às 8 da matina TRAU!.
Dois dias e meio foram muito bem aproveitados já que o sol estava glorioso, responsável pelo meu primeiro bronzeado. Sim, meus caros, sem carro e a pé, monte a cima monte abaixo (a terra natal do meu pai é no alto do monte, meia hora a pé para a vila de Cerva) não há pele pálida dada a longa exposição ao computador que vingue.
Estes dias de férias foram suficientes para perceber:
Estou velha e perra. Nem sequer consigo aguentar a pedalada de uma bicicleta num grau de 10% subida. Nas descidas, todos os santos ajudam...Chamem-lhe "orgulho", mas...penso que as mudanças da bicla estavam erradas. Eu até sou forte de perna... É claro, quando um puto de 13 passa por nós em velocidade a subir um monte, damos por nós a pensar...
A vista da varanda do meu tio continua admirável e rede brasileira ainda é o melhor pouso com vista para as tais uvas americanas que ninguém gosta, mas eu devoro à velocidade luz. Diz ele: "As vinhas ainda estão cá porque és a consumidora nº1".Nham Nham
As Queen View Walks feitas na Escócia foram um excelente treino para ascender ao monte mais alto.
Maio, não é a altura ideal para usufruir do rio maravilha, vim a saber que se chama “Poio” lol Segundo o meu tio, apenas no Verão as comportas fecham e uma extensão de rio é confinada fazendo uma piscina natural. Isto, no Verão... antes disso temos uma pocinha jeitosa que dá para refrescar.
Encontrei uma finalidade brilhante para a máquina digital. Video Logs, tudo culpa do ex Monty Phyton, Michael Palin. Eu explico...
Cada vez que vou a casa do Marco, ele tem a televisão ligada no canal que mostra um documentário estilo Discovery Channel apresentado por Michael Palin sobre a sua viagem ao Nepal. Seja Janeiro ou Agosto, o Palin ali está no ecrã, de pedra e cal, com o seu toque humorístico, explicando cada fase do seu itinerário. Será que o Michael Palin nunca saiu do Nepal?!
Não é no Nepal, mas em Trás-os-Montes e alguns vídeos estão aqui para o vosso viewing pleasure.
Estão em inglês porque são dirigidos para o Tim e restantes amigos estrangeiros e foi ele que compilou tudo num só.
Não sei bem como, mas consegui levantar-me cedo, fazer check out e, com uma mala de 11 kl + 5, subir 311 degraus do Monument, elevar-me uma porrada de metros no London Eye, escapulir-me para a exposição fotográfica “Earth from the Air” do Natural History Museum e estar no aeroporto às 14.30.
Ainda houve tempo para discutir com o homem do raio x que teimava em meter rolos de 1600 na máquina. Lá me fez a vontade, mas não sem, antes me dar um sermão sobre como as máquinas de Heathrow estão preparadas para receber rolos até sensibilidade 3200 sem dano.
Lisboa estava com tempo tão sombrio quanto aquele que deixei em Londres mas
There’s no place like home! Lá dizia a Dorothy e com razão.
Confesso que a minha estadia neste particular hostel não foi das melhores experiências pois, o quarto 93, (de 12 camaratas!) devia de ser conhecido como “A Casa da Mãe Joana” e pessoas entravam e saíam a horas estranhas, as luzes estavam quase sempre apagadas, 2 filhos da mãe ressonavam, era um cheiro que não se podia e eram quase todos Labregos. Para completar o quadro, o quarto era por cima da common room de onde saía música a altos berros que se ouvia até à uma da manhã (Hey!Clap Clap) e ainda, os já considerados residentes no hostel estavam a ser constantemente postos no tal quarto 93. E, lucky me, um desses residentes veio a revelar-se um...(tá claro!)...pé de chinelo. Apesar de bastante camuflado e contido, lá se revelou no último dia na minha estadia.
Eis o seu perfil, comparando dois espécimen que, embora possam ser adequados ao epíteto de “pé de chinelo”, apenas, um deteve essa classificação.
Vejam o exemplo do Bosniano, Venic (penso que era esse o seu nome). Este jovem, que vive na Suécia deste a fuga do seu País Natal devido à Guerra. É divertido, conversador e tinha sempre uma piada ou histórias interessantes para contar. Gostei particularmente do momento em que estávamos no corredor à porta do quarto, sentadinhos no chão e um casal, bastante dread, entra pelo corredor e pergunta se o duche está vazio. Não estava.
Diz o nosso conhecedor Venic, “They were looking for the shower to Jiggy Jiggy!” Deixo para vocês, a decifração dessa expressão...Continuamos a conversa, tendo como banda sonora o 'bater o couro' do tal americano dread, com a gaja de país desconhecido, igualmente dread, com dúvidas se deveria jiggy jiggy com o tal americano que parecia um filosofo dread paz e amor, mas de onde saíram, mais tarde, frases como: “Yeah baby, lift that thing little dude”...
E, mais tarde, foi mesmo quando, o mesmo casal, invadiu o corredor de novo, dirigindo-se para o outro duche, bem mais minúsculo, adjacente ao WC, deixando a mim e ao Venic, sem pio a olhar um para o outro com a expressão “Hein?!”
“Maybe we should give them privacy!” disse eu. “Maybe they should give US privacy!” replicou o Venic
Lá ficamos, esperando que eles seriam discretos e silenciosos (RIGHT!)
A gaja não parecia muito convencida dos aposentos, mas o dread americano lá se desdobrou em justificações.
“Look, this is a cool shower with open doors, see? And a cool nice toilet seat!”. A rapariga parecia convencida mas segundos depois ouvimos do ‘smooth american’ um pujante “Holy shit! Fuck! What the Hell”. Irrompeu dali para fora, deixando a gaja lá plantada no assento da sanita.
Durante minutos eu e o Venic congeminamos razões para abrupta fuga. Teria a gaja o período?! Seria hermafrodita?! Porque, o smooth american voltou, concluímos que a razão mais provável seria a busca de um preservativo. E lá ficaram eles, dentro do duche, mas, ao contrário do que pensávamos, não eram nada silenciosos e ouviu-se tudo.
Chegavam pessoas ao corredor para ir à outra casa de banho, quando um dos empregados do Hostel chega e pergunta
“Is there someone here?” “There one person there, two people here!”- Indagamos. “Jiggy Jiggy!” finalizou o Venic
Já no quarto, quando eu estava a fazer a mala, o Venic perguntou se tinha namorado em casa. Disse que não, ao que ele respondeu:
“Hey you can have a boyfriend right here!”
Este podia ser um momento pé de chinelo, mas não foi porque o Venic era um porreiraço que se despediu de mim com um abraço e um “all the best for you!” Ah, e ofereceu um pózinho cor de laranja que, ou eram vitaminas, ou cocaína cor de laranja, mas era bom misturado com água!
Vejamos agora o exemplo do Abu, indiano de origem (os indianos adoram-me!). Muito simpático, muito prestável. Muito contente de me ver sorrir para ele. Devia de ter desconfiado que isso ia dar problema, mas durante a estadia não deu até ao momento que, quis despedir-se e tomou o meu beijo na cara como outra coisa que fingi não perceber quando ele disse “Do you want to take a walk outside!”
Este SIM – Pé de chinelo que não teve hipótese pois pus-me a andar o mais rápido possível para o quarto anunciando – I’m going to sleep!”
PÉ DE CHINELO ALERT!!!!!! PÉ DE CHINELO ALERT!!!!!! PÉ DE CHINELO ALERT!!!!!!
(nojo, nojo)
Outro ocupante do quarto 93, outro smooth american, cara chapadea do Chad Smith dos Red Hot Chilli Peppers, batia o couro a todas as estrangeiras que mal falavam inglês com pick up lines como: “Let’s talk about philosophy”, “Have you ever tried Viagra?!”
Very smooth...
Será possível haver uma só ocasião em que não ande estupidamente perdida a tentar encontrar um local por onde passei 3 vezes sem reparar?!?!? ARGH Sir John’s Museum mais parecia O País das Maravilhas e isso fez de mim uma Alice sem norte e sem rumo. Sensação equivalente no British Museum. Não seria mais inteligente pôr as múmias e parafernália egípcia toda numa só ala?! E onde arranjaram eles tanta múmia?!
Mais uma vez, enganei-me na casa de banho na British Library. Enquanto estou a lavar as mãos, vejo um senhor e sou capaz de jurar que é o homem que está errado e não eu.Afinal de contas não vislumbrei nenhum urinol quando entrei, mas, depois de uma discreta olhadela à esquerda, vejo a fila de urinois e sibilo um : “I think I’m in the wrong toilet...”
Odeio tripés! Devia de haver um modelo, estilo “Sport Billy” que se desdobrasse e montasse num carregar de botão. Os japoneses, que inventam tanta coisa idiota, (Tamagotshi...hello?!?!?) bem que podiam dedicar umas horas do seu tempo a construir tamanha maravilha. Primeiro que me despache a resgatar o dito tripé no meio de tanta tralha ao pescoço e montar aquela bodega, já passaram 10 minutos e volta e meia, vem um senhor dizer...”tem autorização para isso?!” ARGH. Houve mesmo um que, no exterior da National Gallery teimou: “You can’t use that in here” Estava na rua!!
Londres à noite é muito bonita, nessas alturas, o tripé, realmente, tem a sua utilidade...
Não aguento as pernas!
O muco do meu nariz é preto!
Está mesmo muito frio!
Os bengaleiros dos museus são grátis. Viva!
Não existe fruta em Londres.
Paguei 1£ por 1 maçã!!!!!!
Legumes, cadé?!
Comida vegetariana - uma pechincha
Os hambúrgueres vegetarianos da Linda MaCarthney são bons!
Os cães da Grã Bretanha são snobs!
A ocupação de “Band Aid” devia de ser profissionalizada. A sério! Com cursos, aulas, estágios e carteiras profissionais. Devia até de ser um emprego ocupacional, assim estilo part time. Poderíamos escolher as bandas que quiséssemos, e fazer uma temporada de tournée com umas, e outra temporada com outras. Não teríamos um salário, mas sim as despesas pagas – estadia, refeições, transporte tal como os membros da banda pois as Band Aid estão ali para proporcionar inspiração, companhia e apoio aos membros da banda. Esqueçam as groupies, esqueçam o sexo – isso seriam actividades extra-curriculares que seriam da responsabilidade da executante. Imaginem ser tratada como um membro da crew, com todas as comodidades, não ter de esperar ao frio para entrar, ver o concerto de um sítio decente, ir às after showparties, ter acesso ao backstage sem limitações. Isso sim, é que seria um emprego porreiro com consequências positivas para o avançar da humanidade...
Imaginem, eu poderia escolher acompanhar a tour dos Pearl Jam, nos Estados Unidos, a Jewel pela Austrália, os Placebo na Europa, os Soul Asylum quando lhes dá na veneta dar concertos e, porque não– tudo num ano. Imaginem os resultados traduzidos em fotografias, artigos, entrevistas, photobooks, memorobilia, inspiração para canções and soi on and soi on.
Ah...sonhar é bom. Seria bem melhor que regelar o cu à porta da Brixton Academy à espera de saber como raio se entra para conseguir a acreditação fotográfica, esperar horas com a mala pesadíssima às costas, com matulões a meterem-se a tua frente sem dizerem “Excuse me” e estarem constantemente a invadir o teu espaço, empurrando-te até à saída de palco, onde se encontra a casa de banho. ARGH.
Não há nada como a nossa santa terra para ouvir concertos ao vivo! O público é melhor, está mais quentinho, sabemos como encontrar os nossos press connections e conhecemos os cantos à casa. Não voltar a escolher datas de concertos quando já passou 1 ano após o inicio da tour, pois a banda está mais zombie que outra coisa e nem se dá ao trabalho de comunicar com os desgraçados que estão, ao rubro, a assistir ao concerto.
Penso que houve uma altura em que o Brian Molko olhou para mim enquanto estava a tirar fotos e fez aquela expressão “You again, Jesus, fucking stalker!”, mas pode ter sido impressão minha....o frio glaciar faz partidas com o teu cérebro.
Regressada ao hostel, esperava-me alguns ilustres companheiros de camarata e um rapazinho, deveras simpático, que atenciosamente perguntou se o barulho da música incomodava os residentes do ‘infamous’ quarto 93. “That is so nice of you!?! repliquei. We actually do hear the noise but you were the first person polite enough to ask…” Estive mesmo para lhe dar um abraço, mas o meu sticker da acreditação fotográfica dos Placebo ofuscou-lhe a vista e o resto da estadia olhou para mim como uma deusa do rock! Ah! Nada mau quando demoramos 90 minutos a tentar chegar a casa vinda – regelada - da Brixton Academy.
A minha companhia no metro era bastante diversificada, gostei particularmente da rapariga ao meu lado de saia pela altura do pescoço, com meia de ligas e soutien de tal modo justo que parecia querer expelir a mama da sua copa. Tudo bem, que o metro até é quentinho, mas esta jovem donzela teve de enfrentar temperatura de –3 no exterior sem um casaquito à vista.
O sacrifício que se faz pelas bandas...
Antes de me ir deitar, ainda fui para a recepção ver o meu mail e ‘bater papo’ com o administrador do hostel, um iraquiano a modos que ‘radical’ com qual tive uma quase acesa discussão sobre a situação no Médio Oriente. Não há como contrapor a opinião de alguém que acha que “Saddam fez bem em matar aqueles curdos...depois do que eles fizeram a nós”. A pensar assim, muito em breve, A Terra ficará como mais um planeta onde já houve vida antes dos sacanas dos 'terrestres' se matarem todos.
Depois da conversa amainar, lá divulguei os meus planos de visita a um cemitério em Kensal Green. Todos olharam para mim, como se fosse uma necrófila. Não sei se, confessar que adorava visitar cemitérios anglo saxónicos e ter visitado 6, ajudou a apoiar o meu ponto de vista que era “perfeitamente normal visitar cemitérios”...