backpacking my way through...

Sunday, August 09, 1998

P.S - SCOTLAND 1998

18 de Julho a 8 de Agosto



















O segundo ano no St. Andrew’s foi...diferente. Regressar à Escócia traduziu-se numa maratona de angariação de fundos e busca de 3 semanas livres no congestionado calendário. Em Maio iniciei um part time no Jardim Zoológico e a colaboração no jornal Inside, na rubrica de cinema. Corria o conturbado 3º ano da universidade e não havia trovões ou apocalipse suficientes para me deter.

IT CAN’T RAIN ALL THE TIME



A Escócia recebia-nos com chuva...montes dela! O boletim meteorológico parecia combinar com o meu estado de espírito. Estava confinada aos halls vazios com a pendente tarefa de terminar os artigos para o Inside, sem a possibilidade de sair em passeio para lado nenhum devido à chuva. Até o Dean estava física e emocionalmente ausente - nesse ano, estava de serviço na cantina do campus.

THE BRITISH AIRWAYS AFFAIR

A British Airways é campeã olímpica na perda de bagagem mas o nosso grupo foi atingido forte e feio. A minha mãe insistiu que levasse o material da natação e sapatos num saco de viagem velho que tinha lá por casa. As mães têm o dom da premonição porque o tal saco perdeu-se algures no continente europeu, juntamente com a bagagem de algumas pessoas da comitiva. A Vera ficou sem a mala contendo tudo (mesmo TUDO!) e não viu as roupinhas, pequenos electrodomésticos, estojo de higiene, durante as 3 semanas. Eu tive mais sorte, o meu velho saco ficou rasgado e queimado, uma das minha sandálias de tacão alto ficou marcada por um buraco (sabe Deus o que se passou no porão daquele avião), mas eu ganhei um saco de viagem novinho em folha. "As intrépidas aventuras da bagagem perdida", podia ser o nome deste filme com o John Corcoran como protagonista. O nosso herói a fazer frente à burocracia da papelada "bagagem perdida".



FILLING UP THE DULL MOMENTS

Por não estar inscrita nas aulas, era um verdadeiro desafio manter-me activa durante as manhãs. Essa opção deveu-se meramente a motivos monetários, com muita pena minha, pois o melhor incentivo visual do summer course era o professor Paul. Ahhhhh, o Paul... a razão porque qualquer aluna deseja levantar-se cedo para ir às aulas e deleitar-se com este escocês que ia para a escola sempre despenteado com aquele sorriso de quem teve as noites ocupadas ...




Uma vez livre das obrigações jornalísticas, o John e o Simon convidaram-me para ir com eles jogar golf. Once in Scotland...mais vale observar o desporto favorito dos escoceses. Nem sequer fui uma boa “caddy”, nem joguei. Não percebia patavina das regras e o porquê do entusiasmo que leva as pessoas a jogar desporto mais chato e demorado. Consegui levar para casa uma bola de golf perdida algures no campo.

A comitiva portuguesa pouco ou nada tinha em comum com a do ano passado, apesar de uma dúzia de bravos que bisaram a sua presença: Joana, Leonardo e Isabel entre eles. Até a atribuição dos quarto foi assombrada pelo infortúnio. Não havia suficientes quartos vagos e, eu e a Joana, dividimos um quarto gelado na cave do Olgivie Hall nos primeiros dias. Depois disso o quarto na ala mais barulhenta e indisciplinada do Julie B. Hall. Só na 2ª semana me foi concedido um quarto só para mim. Uff, alívio, já me doíam as costas do colchão de molas.

CRAZY NIGHTS

Aquele colchão de molas, testemunhou momentos deveras tenebrosos

“SLEEP OVERS” do Leonardo amedrontado com a ideia de fantasmas no seu quarto (dizia ele). Definitivamente, colchões de molas não foram feitos para albergar duas pessoas.

NÁUSEAS e adjacente vómito da Joana, enojada com a insinuação sexual do líder do grupo espanhol. ARGH (e o meu rico colchão é que pagou as favas).

MOMENTO DUH ao percebermos que o “hottie” do alemão, sósia do Patrick Swayze em Dirty Dancing era um idiota chapado.

Piada da noite:
Eu: I think you should leave..
Gajo totó:Why?
Eu: Cause I wanna go to sleep and you’re standing on my spring bed.

(Os berbicaxos que a Joana me arranja...)

EXERCÍCIO NOCTURNO: Luta de cócegas até à rendição! Eu e o Leonardo (e a Joana como árbitro) levávamos o desporto muito a sério. Certo dia, já madrugada, a Isaura, nossa líder de grupo, surge de rompante à porta apanhando-nos, literalmente, num novelo humano:

“Podem dizer-me porquê tanto barulho a estas horas?! Tenham vergonha e sejam vocês a dar o exemplo aos mais novos” - berrou para nos fixar em silêncio durante (o que nos pareceu) 5 minutos.

A Joana ria-se entredentes, o Leonardo entrou em piloto automático “desculpivo”, eu (em pleno mortal invertido), transformei-me em pimento vermelho tal o tamanho do embaraço. A imagem da Isaura, na ombreira da porta, a exigir “Pouco Barulho!” surgiria de novo mas, desta vez, os perpetradores eram os monitores, bêbados que nem cachos. No quarto do Big John decorria uma private party”e eu e a Joana éramos as únicas pessoas sóbrias que testemunharam inloco o efeito das spirited drinks.
Dias mais tarde, captei o (conhecido) efeito ébrio St Andrews ao fotografar o Kieran e o Sandy em flagrante exposição de umbigos.



TV EVENINGS and CULTURAL AFTERNOONS

As noites, após o jantar (18h.) seguiam um religioso padrão televisivo: dois episódios dos Simpsons, sessões de cinema cortesia do Mr. Leonardo, conhecido no campus como “Aquele que Mais Dinheiro Gastou em Compras (tudo em argumentos, posters e memorabilia). Vejam-me possuída pelo espírito da “Thing” do John Carpenter



Pelo segundo ano na Escócia, já me movia sozinha pelas ruas de Glasgow o que permitiu delinear um itinerário cultural próprio. Vi “The wedding Singer” no ABC na Sachiehall St. e o Godzilla no Odeon - O Adam Sandler safou-se melhor que o anfíbio mutante made in Hollywood, importado do Japão. Na McLellan Galleries estava patente uma exposição fantástica denominada “Movie Magic”. Ali encontrava-se uma impressionante colecção de maquetas, criaturas, guarda roupa e adereços de grandes sucessos cinematográficos. O chapéu e chicote de Indiana Jones, as armas do Batman, os sapatos de rubi da Judi Garland em “O Feiticeiro de Oz”, o colete usado por Kate Winslet em “Titanic” e muito mais. A exposição tinha “rasgos” de casa de terror uma vez que as salas escuras escondiam... surpresas. Fui surpreendida por um “BOO!” do Batman que pensei ser de cera, e, o toque horripilante de um casal de aliens vindos directamente do filme de Ridley Scott. Acho que os meus gritos assustaram as criaturas...

Não resisti oscular a Alien Queen Mother.



LYNX EFFECT

Pela primeira vez acreditei na premissa de um anúncio de desodorizante masculino ao sentir o efeito inebriante do perfume do Dean. O anúncio do Lynx (o nosso Axe) garantia imediata atracção ao sexo oposto tal íman que se cola ao metal. De facto, as minhas narinas não se conseguiam separar do “jumper” (vulgo, camisolão) do Dean, pulverizado com o dito desodorizante. O pobre rapaz esteve perto de me entregar às autoridades por assédio olfactivo, mas optou por despir o jumper e entregá-lo para o meu sniffing pleasure.

DISCO INFERNO

Nem a distância física e cultural, conseguiu separar o insuportável Netinho e o saturante “Feijão com Arroz” da Daniela Mercury. Alunos do Colégio da Marisol, de algum modo, conseguiram convencer o DJ a tocar os álbuns que guardam o recorde de discos mais tocados de 1998.

Decorria uma verdadeira operação de contrabando alcoólico com o uso vergonhoso de B.Is alheios para adquirir álcool. O caso tornou-se sério quando os alunos mais jovens apareciam de ressaca nas aulas com mau comportamento disciplinar. É o que acontece quando colocam putos de colégios privados à solta, num curso no estrangeiro. Na Grã- Bretanha levam muito a sério a proibição de álcool a menores. Tentem explicar isso a putos de 15 anos, pela primeira vez fora da casa dos pais.

Eu provei Bacardi melancia pela primeira vez e gostei. Ao contrário do parecer clínico da Joana, eu não estava bêbada. “Happiness gets me drunk”dizia eu. E, a face rosada era o efeito da dança. Honest!

CROSS COUNTRY


Esta viagem foi um autêntico fiasco fotográfico. Três rolos de fotos cinzentas, desinteressantes tiradas com a uma singela compacta. Nem sequer peguei na Zenit tal era a frustração do tempo nublado e chuvoso. A kodak Advantix da Joana lá me salvou a vida, registando os momento na vida do St. Andrew’s College.

O Itinerário era diferente do ano passado e incluiu:

Culzen Castle

Chovia a potes mas isso não impediu de disfrutar a magnífica vista do castelo.Infelizmente impediu de tirar fotos

William Wallace Monument (Stirling)

É um mistério porque a estátua do Mel Gibson encarnando William Wallace está à porta de um monumento construído no séc XIX. Tendo em conta que descobrimos a verdadeira história de Wallace no interior do museu e percebe-se que não coincide exactamente com o filme é, passo a redundância, um mistério...misterioso.

Celtic Park



O nosso guia na visita ao estádio do Celtic tinha de ser o Kieran, pois claro, e nós partilhavamos o seu entusiamo. Até gritamos em uníssono "Scum of the Earth" quando foi mencionado o nome dos eternos rivais do Celtic - os Glasgow Rangers. Vocês sabiam que o Rod Steward tem um banco reservado no estádio com o seu nome?! Pronto, agora já sabem e podem espalhar a palavra...

Edinburgh



Sem surpresa, estava a chover quando visitámos a capital. A caminhada teve início no palácio de Holyrood, seguimos pela High Street, parámos perto da catedral de st. Giles, perto de um passeio de pedra fazendo um desenho de um coração - Heart of Midlothian. Reza a tradição que quem pedir um desejo e cuspir para dentro do coração, consegue concretizá-lo. Uma tradição deveras escatológica... Pude visitar partes diferentes do castelo, pois a sua extensão é tão grande que levaria 2 dias a ver tudo. Edinburgh é um dos raros sítios onde a visão de jovens de kilt deleita o olhar feminino. Se estão à espera de verem as brasas dos anúncios de whiskey escocês nas ruas da Escócia desenganem-se, mas nas lojas de turismo até terão sorte. Não resisti a atirar um "nice legs!" ao rapazinho que distribuia os panfletos à porta de uma loja. Não sei quem estabeleceu o comprimento dos kilts mas agrada-me o facto dos kilts masculinos serem mais curtos que os femininos.Não esquecer que o "verdadeiro escocês" não usa roupa interior. Irra, com aquele tecido a fazer comichão na pele, merecem uma medalha!

Glasgow



A Sauchiehall street, Argyle Street, Waterloo Street, a baixa foi devidamente esmiuçada durante a minha estadia. Esmiuçada com o olhar, compras nicles. A minha escassez monetária em férias é legendária. Pelo caminho encontrava o João e o Leonardo em pleno shopping spree. Até charutos eles compraram!

Luss



Visitámos uma pequena vila do Loch Lomond, óptima para actividades aquáticas. Franzi o sobrolho quando o Big John sugeriu que deveríamos trazer o nosso fato de banho para dar um mergulho. Estava nevoeiro!Junto ao posto de turismo decorria um concurso de Highland Fling onde meninas de saias de riscas garidas e sapatilhas de bailarina, saltitavam no palco. Aquilo é que é destreza nos pés!

Helensburgh



Não é uma boa ideia despejarem-nos do autocarro para uma cidade onde não há nada de interessante para visitar, para "fazer compras".E eu, faço o quê?!

Largs / Troons / Oban



O melhor das três cidades foi Oban que tem lojas muitos interessantes mas ainda não foi desta que visitámos a Torre McCaig. Segundo uma brochura que fisguei no posto de turismo, uma torre de inspiração romana que manteve os pedreiros ocupados mas ficou incompleta após a morte do filantropo que a mandou construir.pelo caminho visitámos o Castelo Inveraray

Aberfoyle



Mais uma cidade de "passagem". Para a história fica o episódio em que roubei um postal inadvertidamente. Juro! Esqueci-me que o tinha na mão e saí da loja sem o pagar. Sou uma fora-da-lei...tal como o Rob Roy. Nesse dia visitei o museu que perpetua a sua memória e fiquei aliviada ao saber que os fora-da-lei também podem ser heróis.

Glen Coe

A viagem para Glen Coe foi longa, atribulada e para chegar a tempo do jantar, apenas ficámos meia hora. A visão do Paul em Glen Coe foi duplamente interessante. Ahh, o Paul...

SO LONG, FAIRWELL, AUF WIERDESEN, GOODBYE



A despedida é sempre difícil, especialmente se saio da Escócia sem vislumbrar o Ewan McGregor, quando ele está tão perto. Desta fez, o meu escocês favorito inaugurou uma distilaria na Ilha de Arran, mas o mais próximo que tive dele foi no visionamento de "Trainsporting". Sem legendas foi uma experiência surreal. Finalmente percebi o uso da palavra "bufty" (gay). O Kieran, Dean e Simon andavam de um lado para o outro a dizer "bufty juice" - descrevendo tudo o que não é cerveja.

Para trás, ficou o intercâmbio gastronómico entre Itália - Portugal (o bacalhau ganhou!), o alarme de incêndio accionado às 3 da manhã (duas vezes),os serões no Julie B. Hall e a promessa de voltar um dia...