
A experiência “Viaje para Fora Cá Dentro” depois da insanidade itinerante dos EUA, os quatro dias passados em Trás-os-Montes, foram um exílio emocional. Os Placebo e The Gift protagonizaram a perfeita banda sonora para um sério e inaugural caso de "coração despedaçado" sem direito a pacemaker.
“Never thought you'd make me perspire.
Never thought I'd do you the same.
Never thought I'd fill with desire.
Never thought I'd feel so ashamed.
Me and you baby,
still flush all the pain away
So before I end my day
remember
My sweet prince
you are the one
Placebo “Sweet Prince”
À noite, ouvia-os non-stop como uma obsessiva - compulsiva que procura paz no expiar de emoções nas palavras de outra pessoa. De dia, deleitava-me com as calmas água do rio de Cerva (mesmo ali à mão) a paz da rede brasileira dos meus tios e a companhia da troupe band aid em fim de tourneé Silence 4.

Foi impossível assistir à última data da tourneé dos Silence 4, no Algarve - nem a promessa de pagamento a 200% pelo dia de folga me safou – por isso parti mais cedo com os meus tios para preparar a recepção das, já a caminho, visitas. Os ” acabadinhos de chegar directamente do concerto de Silence 4, com estadia tenebrosa na casa do Tyson” apareceram às 23h. Cerva não é nos confins de Portugal, mas está lá perto.
Não se pode descrever Cerva como uma metrópole cosmopolita, mas os passeios de bicicleta pelas antigas minas de sal, o desbravar do milharal para chegar ao rio das delícias, o chapinhar no tanque nas tardes tórridas, os jantares na vila e os serões culturais à luz da antiga adega dos meus avós foram uma delícia.
Monumentos históricos visitados: antiga casa dos meus avós, cuja casa de banho típica, ali mesmo na varanda, deslumbrou os seus visitantes, com a sanita de esgoto ao ar livre em rota directa para o chão (para posterior adubo – espertinhos hein?).
Monumentos pré-históricos: - igualmente aterradores no meio da noite sem lanterna - Antas! Extremamente acessíveis por entre as placas minúsculas e centenas de ervas daninhas gigantes. O objecto não identificado na anta é, na realidade, pessoa identificada com o nome de André. Grande conhecedor da língua portuguesa (e francesa), não hesitou em contar-nos detalhadamente o que é isso de: Postillonnage... lolol
Excursões fora da vila: um pulo à serra do Marão a bordo do Diogomóbil. Óptima zona para voltar a ligar o telemóvel, explorar moinhos em ruína, fabricas abandonadas e sessões fotográficas improvisadas.
Ainda assim
A quase completa inexistência de rede TMN levou-nos a estender os punhos em riste, em busca de um acto divino que fizesse regressar a rede. A inexistência de Internet após a morte do “Bobi” do Diogo (vulgo, laptop) levou a Joana a baptizar a nossa viagem para lá dos montes como: “Refúgio emocional para os Internet /telemóvel dependentes”.

Dado o número obsceno de máquinas fotográficas presentes, as mini férias em Trás os Montes foram um escape para a inércia de Agosto e uma verdadeira “Orgia Fotográfica”.
Trás-os Montes segundo o Diogo:
Trás-os-Montes na câmara da Joana:



Viagem pela minha Zenit
