backpacking my way through...

Friday, May 31, 2002

2002 LONDON (U.K)

ASPECTOS IMPORTANTES A RETER NESTA AVENTURA LONDRINA

1. Não voem com a TAP a não ser que seja estritamente necessário. Eu tinha razão em desconfiar de uma companhia aérea que serve talheres de plástico....

2. A sinalização na estrada a dizer “look right ------»”, “«------ look left” salva vidas. Já se sabe que os brits andam ao contrário e as lições de “olha sempre para a direita primeiro” que nos disseram qdo pequenos, não se aplicam aqui. Nas terras de sua Majestade, se olham para a direita numa curva isso pode custar alguns ossos partidos e contusões várias

3. Nunca demostrem que não sabem como se atravessa a estrada para o outro lado. Se alguém vos oferecer ajuda, recusem, senão vão ter de o aturar durante todo o caminho de casa e dar a ideia (errada) que esse gesto quer dizer que numa possibilidade mais que provável “eu vou comer a/o gaja/o assim que a/o levar a casa”. Na volta sou só eu que acho que acompanhar uma pessoa a casa é apenas um gesto cordial quando a alternativa seria “Get the fuck away from me you wanker twat”.

4. Aceitem que têm de ir pelas passagens subterrâneas para atravessar a estrada. Aceitem igualmente que, o metro de Londres é atrofiante, clastrofóbico e é no centro da terra (num andar acima do purgatório)

5. O que é anormal nos hostels do resto do Mundo, é normal nos hostels londrinos. Sim, é normal haver quartos mistos, com beliches de 2 metros sem escadas, sem cacifos para por os nossos valores. O andar de baixo ser o 5º e o de cima o 1 e, la piece de la resistence, é perfeitamente normal, em 5 andares e 260 quartos, haver apenas 8 toilets 8 (metro por metro e meio) com lavatório e 5 com Sabão (essa coisa rara). Também é normal os duches serem separados das casas de banho. Portanto, quem está no quarto com 4 beliches mistos, tem de agarrar nas traquitanas, ir ao andar de baixo para largar os liquidos habituais , lavar a cara dentes etc, pegar nas traquitanas de novo e ir para a outra ala tomar duche (sp com as traquitanas atrás, claro está. É igualmente normal, as pessoas darem as suas chaves em troca de pratos e outros utensílios da cozinha e utilizarem papel higiénico para lavar secar as mãos, os pratos e limpar a bancada. Fantástico.

6. A cozinha é o melhor local para conhecer pessoas.

7. O facto de estarmos numa cidade onde se fala inglês, não implica que os seus habitantes falem a língua...

8. Londres é poluída, tem smog, contudo só nos apercebemos disso quando assoamos o nariz e sai algo preto.

9. Existem guindastes e andaimes por toda a cidade e perduram por lá, durante anos e anos. Desistam de tirar uma foto estilo panorâmica, ficará sempre com 3 ou 4 guindastes na foto.


Tenho a agradável sensação de ter voltado mais culta de Londres só pela quantidade de museus visitados. Um total de 9. Graças aos deuses os museus têm uma coisa chamada “late view” - os museus fecham às 21h em certo dia. Vocês sabiam que as moscas vomitam a comida antes de a comerem?! E sabiam que o Lord Essex (mais conhecido pela interpretação de Joseph Fiennes (hummm) em Elizabeth foi decapitado na Torre de Londres, apesar da rainha Elizabeth (mais conhecida pela interpretação de Cate Blanchet) não ter conhecimento. E vocês sabiam que Freud passou o seu último ano de vida em Hampstead?! Ah pois...Não sabiam. Mas sei eu!

10. A maior parte dos museus são grátis a partir de uma certa hora e deixam tirar fotos à vontade. Ironicamente, as igrejas são pagas (e bem) e não deixam tirar qualquer tipo de fotografia





For the International crew...

Friends of all continents – ok, just Europe and North America lol

I came from London with this incredible feeling of knowledge due to the large quantity of museums I visited and also the idea that London’s Hostels are ...weird. The photos will be the visual report of my whereabouts but before that:

Here’s some important aspects to consider from the London Adventure

1. Do not fly with TAP unless is strictly necessary. I was right to suspect a flying company that serves in plastic forks and knives.

2. The signalling on the road saying “look right ------»".."«------ look left" saves lives. We already know the brits drive on a different side and the lessons we took in school about pedestrian rules do not apply here. In her Majesty’s land, if you look right when you cross the road it can cost you several bruises and broken bones.

3. Never let people know you have no idea how to cross the street to the other side. If someone offers help - refuse, or else you have to put up with this person during your walk home and give him (its usually a him) the (wrong) impression that the polite gesture of letting this guy keeps us company means he has a chance to make out or some other libidinous activity when otherwise, the alternative would be : “Get the fuck away from me you wanker twat”.

4. Accept the idea you have to go through underground passages to cross to the other side of the road. Also accept the fact London’s underground is constricted, claustrophobic (hence the name Tube) and in the centre of the earth, just above Purgatory

5. What’s odd in hostels all over the world, is normal in London’s hostels. Yes, it’s normal to have coed room with 2meter bunk beds with no ladder, and no lockers to put your stuff. Top floor its the 1st, and ground floor is the 5th. And – this is something else – in 5 floors with 266 rooms, its normal to have 8 toilets with lavatory and only 5 with soap (that rare hygienic product) Its also normal, the showers being separated from the toilets. So, if you’re in a room with 4 coed bunk beds, you have to grab your stuff, go all the way to the lower floor to use the toilet and then go to the other isle to take a shower. But that’s not all, its also normal to give your keys to the front desk in exchange for plates and cutlery and use toilet paper to dry hand and plates – fantastic!

6. The kitchen is the best place to meet people

7.Just because we’re in a English spoken country does not mean that Londoners speak English

8. London is polluted, has smog, but we only realized it when we blow your nose and something black comes off

9.There are cranes all over the city that have stayed there for over a year. Its useless to take landscape or skyline photos of London, you’ll have at least 4 cranes on your shot

10. Most museums are free and they let you take photos. Ironically, churches are charged (and how) and they don’t let you take any photos, not even without flash

Looks like I chose a good week to visit London. It was the Queen’s Jubilee and most museums and palaces were ALL free. I have this pleasant feeling of deep knowledge for the number of museums I visited. A total of 9. Thank God for something called “late view” – the museums closed at 9pm at a certain day. Did you guys know that flies throw up their food before they eat it?! Did you know Lord Essex (portrait by Joseph Fiennes in the film “Elizabeth”) was decapitated for treason, in the Tower Of London (where else) without Queen Elizabeth’s knowledge. And did you know Freud spend the last year of his life in Hampstead?! Bet you didn’t know that!

Thursday, May 30, 2002

OPERATION: LONDON Day#5

House Guard Parade at Whitehall

Finalmente pude assistir ao Changing of the Guard. A primeira tentativa saiu frustada quando deparei com um “mar” de gente à porta do Buckingham Palace. Levei algum tempo a perceber que Trooping the Colour e Changing of the Guard eram dois protocolos diferentes. Continuo a achar uma “mariquice” e perda de dinheiro dos contribuintes, ter uma cerimónia de mudança da Guarda da Rainha que demora cerca que uma hora e vai desde The House Guard Parade ( o nome diz tudo...) até ao Buckingham Palace. Optei por começar pela cerimónia de onde saem os guardas com os cavalos e segui-los até aos portões do Palácio a abarrotar de turistas e curiosos que não queriam perder pitada. É uma cerimónia interessante mas uma hora de mariquices protocolares e marchas com coches, cavalos, guardas, tiro de canhão à mistura parece demasiado pomposo mas...a realeza tem destas coisas.

St James Park
Buckingham Palace - Changing of the Guard 11.30h
Museum of Natural History “ Turbulent Landscapes”

Antes de seguir para o Museu de História Natural, para ver a Galeria “Life”, fiquei no St James Park a fotografar pássaros, Pelicanos incluídos...

Já no Museu, apenas tive tempo de ver a exposição dos Insectos – cute! - passar de corrida pela ala pré histórica, vislumbrar a sequóia de centenas de anos, dizer olá ao esqueleto de dinossauro logo à entrada, antes de ver a espectacular exposição “Turbulent Landscapes” que se pode descrever como versões mini de catástrofes naturais. Para variar, cheguei atrasada ao teatro mas o porteiro deixou-me entrar. Ainda perguntei se podia ver o espectáculo com lente teleobjectiva ao qual obtive a óbvia resposta. “No.” e ainda a graçola, “Don’t worry, you’ll still be able to see Matt Damon’s zits from where you are sitting”.

Ah. Ah. Engraçadinho. A última fila do cozy and beautiful Garrick era relativamente perto do palco, não vislumbrei nenhuma borbulha em qualquer um dos actores em palco mas, testemunhei a primeira interpretação de relevo do Casey Affleck (que sempre detestei) e uma peça cómica genial

“This is Our Youth” at Garrick Theatre


Portrait Gallery
Picadilly Circus

Os últimos esforços para ver Londres em todo o seu esplendor, no meu último dia, levou-me até à Portrait Gallery (adorei) e um passeio a pé até à Picadilly Circus. Não percebo porque publicitam o West End como o melhor sítio para passear – não acho a mínima piada. Talvez à noite...next time...









Wednesday, May 29, 2002

OPERATION:LONDON: Day#4

Hampstead Walk

Freud Museum

Hampstead, a norte de Londres, foi o destino escolhido para passear fora da cidade. Assim que saí no metro e pus o pé no total desconhecido - surpresa, surpresa! Perdi-me. Não é hilariante a maneira como me desvio cada vez mais do destino correcto, quando tenho UM MAPA! ?!?! Uma volta pela simpática vila e uns quantos quilómetros na direcção errada depois, consigo encontrar o autocarro com destino à casa onde Freud viveu nos últimos anos da sua vida. Azar o meu, só abria depois do almoço. Óptima oportunidade para pôr a escrita ‘postaleira’ em dia.
Curiosamente, o senhor que estava na bilheteira era português e ficou satisfeito por ver uma compatriota. Eu fiquei satisfeita com a visita, o número 20 da FitzJohn’s Av. é tão acolhedor e caseiro que dá vontade de nos estender-mos no divã e fazer figas para ter um sonho digno da psico-análise do senhor Freud itself.

Hampstead Heath

Parece incompreensível que alguém com crónica falta de direcção como myself se tenha aventura pelo Hamspeath Heath, mas tinha lido coisas maravilhosas daquele enorme “pulmão verde”. Aliás, verde foi SÓ o que vi porque, do sítio onde entrei (East Heath Road) só vi VERDE. Nada de pessoas, animais, lagos ou nada, só, extensos metros de relva. Ao fim de 10 minutos embrenhada no deserto verde, vislumbrei um banco e senti que estava salva. Não estou a brincar quando confesso que cantei “The hills are Alive with the Sound of Music” até ao cimo da colina onde estava o banco, tal era a demência de perceber que estava perdida num mar verde. Minutos depois encontrei uma alminha caridosa que balbuciou haver um autocarro até à Kenwood House. Uff. A caminho da paragem, os prometidos lagos com os patinhos. Assim, sim...

Kenwood House
Natural History Museum
Victoria § Albert Museum


Houve muito pouco tempo para estar na propriedade à volta da Kenwood House (diz-se ‘Cainewood’, não admira que ninguém sabia o que raio estava a falar quando perguntava direcções...). I was a girl on a mission. E, a missão, era correr de volta para Londres a tempo de ver mais um “pouco” do Natural History Museum e passar por “the mother of all museums”: V&A.
Custa acreditar na impressionante, diversa, rica, possante colecção dentro daquele museu que mais parece um Mundo ou, na melhor das hipóteses, o mais interessante cenário fotográfico. Há falta de melhor para fazer, diverti-me imenso a fazer auto retratos na casa de banho do Museu. Caramba, até as casas de banho são fabulosas...




Tuesday, May 28, 2002

OPERATION: LONDON Day #3

(I think) I'M STILL ALIVE!

St Paul’s Church
Tower Bridge (ext)
St Katherine’s Dock
Greenwich Tour Walk
Cutty Sark


O tempo estava horroroso, com uma chuva miudinha chata e uma igualmente irritante neblina porém, assim que entrei na Catedral de St. Paul o meu queixo caiu e entrei em dazzled mode. Os degraus de acesso às galerias com vista para a cidade eram intermináveis mas davam acesso a uma vista fabulosa. Seguiu-se uma caminhada a pé até às Docklands com direito a passagem pela Tower Bridge (WOW) e uma tentativa falhada de hang out na zona das Docas porque começou a chover. Não era a melhor altura para partir para Greenwhich mas, what the hell... se estivesse à espera que o sol despontasse das cinzentas nuvens londrinas, ganharia raízes.

Sorte a minha, o sol despontou assim que cheguei a Greenwhich, via DLR . Assim que saí do Information Center com uma exposição interessantíssima sobre a presença da realeza em Greenwhich – Queen Elizabeth’s favourite place, fui que nem uma seta para a Painted Hall e Chapel - GRÁTIS! - dizia o folheto. Como é possível haver acesso gratuito a tantos museus e sítios interessantes, BEATS ME mas BY GOD, eu aproveitaria cada um deles. Infelizmente não deu visitar o Old Royal Observatory que fechava às 17h, após uma subida de 90º (pr’ái) apenas pude pisar o meridiano de Greenwhich aos portões do Antigo Planetário e perseguir esquilos e pombos com a máquina fotográfica. Há algo de muito fotogénico nos esquilos...

Royal Navy College – Painted Hall and Chapel


Old Royal Observatory / Greenwich Meridian
Convent Garden Walk


Das duas uma, ou estou viva com imensas dores em todas as partes do meu corpo - incluindo as pontas dos dedos, ou...estou morta e no purgatório. Acho que nunca andei tanto na minha vida. Pois foi, Hyde Park, Picadilly Circus,Greenwich. Acabei de chegar do West End a zona dos teatros, onde estive uma hora a espera de conseguir bilhete para "This is Our Youth" e claro está, não fui bem sucedida, mas consegui uma matiné! Mesmo a tempo, visto que o Matt Damon vai de frosques.

O sr. arquitecto que ajudou a construir metade das capelas de Londres
depois do Grande Incêndio (séc. XVII) é um ‘sinhor’ carago!!! Uma salva de palmas para Christopher Wren. Responsável pelas 500 escadas na Catedral de St. Paul que valem cada degrau.




Monday, May 27, 2002

OPERATION:LONDON Day #2

THE LONGEST DAY...

WESTMINSTER WALK



Houses of Parliament / Big Ben
Westminster’s Abbey
Cenotaph /10 Downing St
Trafalgar Sq
National Gallery
Hugerford Foot Bridge
Dali Universe at County Hall
London Eye / Julibee Gardens


Dia dedicado à zona de WHITEHALL. Visitar a Abadia de Westminster é bastante frustrante devido á política “No Photography” no meio de toda aquela opulência estética. Felizmente os claustros estão livres da proibição. Segui por Whitehall (uma espreitadela ao ‘good ol’’ Big Ben e o Parlamento) até Trafalgar Square que, pelo que percebi, está constantemente em obras.

Mais filmagens.

Passei 2h30m na National Gallery (lindo), percorri a ponte de peões (Hugerford) até ao famoso London Eye. Aquilo pareceu-me muito alto, com fila muito extensa, por isso desisti e em alternativa, fui a uma fantástica exposição do Dali no County Hall. Um telefonema rápido para a Warner para confirmar o meu bilhete e acreditação fotográfica para o concerto. Estava tudo ok, mas quando cheguei ao concerto, aconteceu aquilo que eu temia.

Royal Albert Hall – Jewel in Concert

As coisas começaram a dar uma curva para o torto quando ninguém tinha o meu bilhete. Apenas tinha um passe para as fotos e depois era expulsa, mas eis senão quando (nunca mais na vida direi que não tenho sorte), um senhor que estava na primeira fila deu-me um bilhete na FILA DA FRENTE DO ROYAL ALBERT HALL em troca das fotos que tirasse.


Nota para o Nuno:

A Jewel fez um esforço e, de facto, tocou guitarra e deu um espectáculo e pêras. Ainda por cima vinha toda curvilínea com umas botas acima do joelho e uma micro mini saia.
"Não sei se sabem, mas caí do cavalo e não posso tocar, o que parece estranho. Juntei-me à Kyle Minogue para ela me ensinar uns passos de dança. Infelizmente, não tenho os movimentos dela"
disse a nossa menina Jewel. "Hey, you sing a lot better than her!" -gritou alguém do fundo da sala.


AMEN!







Sunday, May 26, 2002

OPERATION: LONDON Day #1

Parece que escolhi uma boa semana para ir a Londres. É o jubileu de ouro da Rainha e os museus, alguns palácios são TODOS grátis.YES!

Notting Hill – Portobello Road

Este foi o dia escolhido para andar a pé (como todos os dias, mas, este mais do que os outros) e aproveitando o facto de estar a 20m de Notting Hill, comecei por aí. Fui ao balcão das informações do hostel e perguntei se ir até lá a pé era longe. “20 minutes – but its raining” disse. "Will it ever stop?!” – ironizei. Bem, o tempo britânico é deveras estranho, há que esperar tudo e estar pronto para as eventualidades climatéricas. Lá fui para o mercado de Portobello Road – um dos melhores, ouvi dizer, mas o pessoal do mercado só deve começar a montar a banca às 10 pois eram 9.30 e não via viva alma num mercado que era suposto estar cheio. Dei meia volta e segui para os jardins – Kensington e Hyde Park

Kensington Gardens / Hyde Park

As nuvens dissiparam, evidenciando um esplendoroso sol. Existem muitos cães que passeiam no parque, este era um deles. A co-existência entre os patos e os cães não é as melhores visto o resultado ser sempre aquele que se vê na foto. Este cão, era bem mais benevolente que um outro que vi mais à frente que chegou a entrar dentro do Serpentine e perseguir os patos em alta velocidade.
Quem atravessa o Central Park, facilmente atravessa estes dois, mas diga-se de passagem que debaixo de chuva torrencial, é incómodo. Pelo caminho do parque vi filmagens de um filme britânico "Johnhy English" e passei pelo Royal Albert Hall e o memorial mesmo em frente: o Albert Memorial
Museum of Natural History

A parte da tarde seria reservada para os museus por detrás do Royal Albert Hall – Science Museum, Museum of Natural History e o V&A. O Museu de História Natural foi o escolhido e, até agora, é o favorito. Nunca acreditem o que os guias dizem. Se está escrito que demoram 2 e meia para ver o museu – não acreditem. Eu demorei 3h só para ver a galeria “Earth” completa e mais 2 horas para a galeria “Life” incompleta


Wednesday, August 08, 2001

TRÁS-OS-MONTES

Agosto 2001



A experiência “Viaje para Fora Cá Dentro” depois da insanidade itinerante dos EUA, os quatro dias passados em Trás-os-Montes, foram um exílio emocional. Os Placebo e The Gift protagonizaram a perfeita banda sonora para um sério e inaugural caso de "coração despedaçado" sem direito a pacemaker.

“Never thought you'd make me perspire.
Never thought I'd do you the same.
Never thought I'd fill with desire.
Never thought I'd feel so ashamed.

Me and you baby,
still flush all the pain away
So before I end my day
remember
My sweet prince
you are the one


Placebo “Sweet Prince”

À noite, ouvia-os non-stop como uma obsessiva - compulsiva que procura paz no expiar de emoções nas palavras de outra pessoa. De dia, deleitava-me com as calmas água do rio de Cerva (mesmo ali à mão) a paz da rede brasileira dos meus tios e a companhia da troupe band aid em fim de tourneé Silence 4.



Foi impossível assistir à última data da tourneé dos Silence 4, no Algarve - nem a promessa de pagamento a 200% pelo dia de folga me safou – por isso parti mais cedo com os meus tios para preparar a recepção das, já a caminho, visitas. Os ” acabadinhos de chegar directamente do concerto de Silence 4, com estadia tenebrosa na casa do Tyson” apareceram às 23h. Cerva não é nos confins de Portugal, mas está lá perto.

Não se pode descrever Cerva como uma metrópole cosmopolita, mas os passeios de bicicleta pelas antigas minas de sal, o desbravar do milharal para chegar ao rio das delícias, o chapinhar no tanque nas tardes tórridas, os jantares na vila e os serões culturais à luz da antiga adega dos meus avós foram uma delícia.



Monumentos históricos visitados: antiga casa dos meus avós, cuja casa de banho típica, ali mesmo na varanda, deslumbrou os seus visitantes, com a sanita de esgoto ao ar livre em rota directa para o chão (para posterior adubo – espertinhos hein?).

Monumentos pré-históricos: - igualmente aterradores no meio da noite sem lanterna - Antas! Extremamente acessíveis por entre as placas minúsculas e centenas de ervas daninhas gigantes. O objecto não identificado na anta é, na realidade, pessoa identificada com o nome de André. Grande conhecedor da língua portuguesa (e francesa), não hesitou em contar-nos detalhadamente o que é isso de: Postillonnage... lolol



Excursões fora da vila: um pulo à serra do Marão a bordo do Diogomóbil. Óptima zona para voltar a ligar o telemóvel, explorar moinhos em ruína, fabricas abandonadas e sessões fotográficas improvisadas.

Ainda assim

A quase completa inexistência de rede TMN levou-nos a estender os punhos em riste, em busca de um acto divino que fizesse regressar a rede. A inexistência de Internet após a morte do “Bobi” do Diogo (vulgo, laptop) levou a Joana a baptizar a nossa viagem para lá dos montes como: “Refúgio emocional para os Internet /telemóvel dependentes”.



Dado o número obsceno de máquinas fotográficas presentes, as mini férias em Trás os Montes foram um escape para a inércia de Agosto e uma verdadeira “Orgia Fotográfica”.


Trás-os Montes segundo o Diogo:



Trás-os-Montes na câmara da Joana:







Viagem pela minha Zenit














Friday, March 16, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN THEM #4

STILL ON THE BUS (ARGH) 

Já é de manhã quando chegamos a CHICAGO para (mais uma) mudança de autocarro e tomar o pequeno almoço. Pareço zombie em filme de terror série B. Está um frio que vai para além do meu conceito consciente de frio. A cidade está coberta de neve e não é coincidência chamarem a Chicago “the windy city”. 

 Já a caminho de Wisconsin, aproveito o trajecto letárgico do autocarro devido ao trânsito para conversar com o Jason e conhecer os novos companheiros de autocarro. As minhas preces foram ouvidas, as Manas bêbadas que nem cachos haviam ficado em Chicago. AMÉN! À nossa frente: “The Pillow girl”, uma loura simpática que viaja sempre com uma almofada (esperta!) e um rapaz de poucas falas. Ao nosso lado, um dude de Seattle e uma loirinha estilo Barbie universitária, a caminho de Minneapolis para visitar “high school boyfriend”. 

 Discute-se o empate Bush /Gore. Jason é o único a pensar que George W Bush será um bom presidente e todos nós achamos que Gore é o genuíno vencedor. O rapaz de Seattle está , claramente, a ‘bater couro’ à Barbie Universitária. Disserta sobre o sua participação numa boys band, o seu divorcio aos 19 anos(?!) e a sua vida de aventura e crime. 

 Fala-se de quem mais sofre numa relação: homens ou mulheres. The Pillow Girl conta o caso do marido da irmã, que estava grávida, e teve o desplante de dormir com uma gaja no dia do parto da mulher. Jason, desabafa que as mulheres têm uma maneira “cruel” de “emotionally cripple a guy”. Testemunhando o “bater couro” do dude de Seattle, ficamos com a sensação que a bola está no nosso lado e, segundo o Jason, “that guy is full of shit and she’s buying it”. Impossível ‘cair’ em tamanha flagrante baboseira, é a minha opinião. 

Estou farta de restaurantes de Fast Food! Deito hambúrgueres de filete de peixe, chocolates e bolachas ‘pelos olhos’. A troca de palavras nestes restaurantes é sempre a mesma: 
“I would like a fish stick hamburguer” – peço 
“With fries?” inquire o empregado/a 
“No.” 
“Do you want sauce?”
 “No.“
“Want a drink 
“No!…Listen I know its ‘weird’ but I just want a fish burger, ok?!” 

 Dentro do autocarro começo a perceber as actividades ilícitas relacionadas com ‘erva’ que estão a ser desencadeadas numa operação deveras ‘BONDiana’ sob o nariz do motorista nazi. Jason pergunta se quero ler a revista “High Times”. Dou uma sonora gargalhada ao pensar que ele está a gozar com a minha cara mas, na realidade, existe MESMO uma revista que versa sobre marijuana e a “nobre” actividade de “getting high”... E ainda dizem que não há liberdade de imprensa nos EUA! Sonho com sanduíches estaladiças e queijo fatiado e não aquela bodega de queijo creme.

Playlist para roadtrip dentro de um autocarro da Greyhound (não é tão glamoroso quanto viajar num thunderbird pela route 66, mas é a versão económica. Mas inclui mixtape cassete áudio para ouvir no voice recorder.

 
  ESTOU FARTA DE ESTAR NESTE AUTOCARRO!!!! Já esgotei todas as cassetes de Jewel e Soul Asylum e estou aborrecida de morte Na nossa 4ª ou 5ª paragem (o cansaço mental impede-me de saber com precisão) consigo telefonar à Jen e combinar onde nos encontrarmos. (ufa!) Quando entramos em St Paul, o entusiasmo sobe sobre o meu cansado espírito ao pensar que dentro de horas estarei a assistir a Soul Asylum ao vivo e, muito possivelmente, conhecê-los pessoalmente. 

 Acho estranho ler numa tabuleta que o rio que estávamos a atravessar se chama “Mississipi” (Então o rio Mississipi não é no sul?!!?)  NOTA MENTAL: a extensão dos EUA é imensa e um rio pode muito bem atravessar uns quantos Estados. 

 A entrada em Minneapolis é triunfal, o sol brilha e a cidade é arquitectonicamente belíssima com imensos arranha céus, algo que nunca imaginei existir em Minneapolis. Os meus companheiros de viagem falam de um tal “Mall of America” (o maior dos EUA). Achamos estranho haver guindastes e construções por toda a cidade. Entrámos na gare rodoviária, vejo a Jen, reconheço o Tim da janela do autocarro. Começo a pensar como raio hei de cumprimentar este pessoal?! “Olá” e “Adeus” nos Estados Unidos são uma tortura porque eles não aderem ao ‘formato’ beijo na cara e um aperto de mão parece-me sempre demasiado formal e parvo. Tinha brincando com o Tim ao dizer, por email, “NO KISS FOR YOU!” 

 As casas de banho das rodoviárias são a minha salle de bain privada. Nestas alturas, contrária à opinião do meu médico, acho bastante saudável não suar. Também com o frio que está, essa seria uma hipótese remota...mas, 32h dentro de autocarro são 32h. 

 Seguimos para o restaurante Old Chicago onde me esperavam os membros do Clube dos Soul Asylum. O Phil parece-me mais forte do que o imaginava e a Jen é uma querida e o Tim é um porreiro. Todos haviam lido o meu post e sabiam que estaria “dead tired”. Acharam-me “hyperactive” (bruxo, com 7 anos de espera para ver Soul Asylum acumulados) 

Comi a mais deliciosa lasanha vegetariana que me fez esquecer toda a comida “lixo” dos malditos restaurantes à beira de auto estrada. O Todd não apareceu com os bootlegs de Soul Asylum que tinha pedido. 

 Fomos para a fila do Fineline. Estava frio que se tolerava. Vê-se neve acumulada na beira da estrada e acho piada ver a neve toda negra. Segundo a Jen, “Snow isn’t that nice this time of year.” O tempo de espera é preenchido com conversas sobre filmes e concertos. Temo não conseguir entrar com a minha máquina fotográfica, não goste do concerto, entre em coma estático ao vislumbrar a banda no backstage.(MEDO! MEDO!) 

 Entro sem problemas, o segurança acha estranho ver um passaporte de alguém que mora tão longe (..."from Spain..", deve ter pensado). Havia duas bandas suporte. Já não tenho pachorra para bandas suporte, especialmente naquela altura. Ainda me aguentei na primeira banda, mas na segunda já estava com a cabeça deitada no amplificador. 


  “OH NO!!! She’s going down!” brincou o Tim ao meu lado. Eu sorri, garantindo que quando chegassem os Soul Asylum estaria “wide awake!” E como! O Fineline era um recinto estilo Paradise Garage, o palco não tinha mais de um metro de altura e estávamos mesmo em frente. Estávamos tão perto que, se não tivesse cuidado seria pisada pelo Karl Muller e levava com o suor do Dave Pirner na cara!  

A realidade provou ser bem próxima dessa previsão. Assim que a segunda banda desapareceu do palco eu acordei estilo mola de “cracker jack” e não parei até a banda sair do palco. Depois do concerto, fomos para o backstage, cortesia da Jen e, confesso, ser recebida à porta pelo Dave foi uma experiência totalmente surrealista. Lembro-me estar fixada nos seus belíssimos olhos azuis e reagir como uma velhinha que agradece o jovem escuteiro que abre caminho para ela. Estranhamente não entrei em coma logo ali. 


 Passeámos pelo backstage que estava à pinha, falei com o Ian (novo baterista) sobre a Escócia (ele é britânico). Vi o Dan no sofá com uma rapariga e pensei ir até lá dizer um “Hello” mas fiquei pelo pensamento. Não sei bem como, mas tive o Karl à minha frente, intrigado com o que alguém lhe havia dito sobre mim. 

  “You came from Portugal?!” 
“Travelled 32h on a bus to see you guys?” 
“Why?!”
“To see you! I’ve waited 7 years to see you!”
 "Why"
“Cause you rock!” 

 Fomos interrompidos. Voltei ao Ian que estendeu o convite para o segundo concerto deles. Disse que ia tentar pois tinha viagem marcada para Los Angeles. “We’d love if you could come!” disse A minha consciência convencia o meu cérebro a (nem sequer!) pensar na insanidade de regressar a Minneapolis para um segundo concerto, por mais incrível e excitante que fosse. 

 Durante uma meia hora, fiquei no sofá a beber refrigerantes. Infelizmente os bufets dos Soul Asylum não incluem fruta como os dos Silence 4. Chegou a hora de nos irmos embora. A Jen quis despedir-se do Dave que gozou com ela por esta confessar viver em Coon Rapids: “Hey, that’s not Minneapolis!!

Finalmente, consegui ter 2 minutos de conversa com ele ao sermos apresentados convenientemente. Alguém lhe disse que era portuguesa e tinha vindo de propósito para o concerto (acho que foi o Tim). 
 
“Wow, really?!” perguntou 
“Yes, travelled 32h on a bus to be here” 
“You went all the way from Portugal on a bus?!?” gracejou 
“No! from NYC” 
“Why didn’t you take the train?!” 
“Cause its more expensive…” (DUH) 

 Aproveitei para mencionar que tive pena por não ouvi-los tocar “Chains” a minha favorita. Ele disse que já não tocavam isso desde... …

“1994, in Barcelona, Spain” completei. “Unfortunately I missed the opportunity to see you there...”

Fomos interrompidos, de novo. Tinha ali o gajo a jeito, pronto para termos uma conversa interessante e o estúpido do baixista da banda suporte rouba o meu spotlight sem dó nem piedade. 

Tínhamos de ir, apenas atirei um “Bye, great show. Nice to meet you” estilo ‘palavras ao vento’ com plena consciência que ele não ouviria mas, ao voltar costas para ir embora, aconteceu algo que só pode ser devidamente percepcionado, imaginando a cena em câmara lenta, como nos filmes. Ele puxa-me o braço suavemente, olha directamente nos meus olhos, abre um enorme sorriso e diz : “Thanks for coming to the show. I hope to see you next time…”

E foi assim que mandei a consciência para as urtigas e obriguei o cérebro a assimilar as palavras: “I’m going to the second show!” (Nunca subestimar o poder de uns enebriantes olhos azuis...)

Thursday, March 15, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN day#3

ON THE BUS 

Não acredito que isto me esteja a acontecer! Levantei-me com 2 horas de antecedência, não me atrasei, cheguei ao refeitório com tempo de sobra para tomar o pequeno almoço. PORQUE RAIO saio do hostel com o relógio a assinalar 20 tenebrosos minutos para as 7h (hora marcada do autocarro). 

 Corro que nem vampiro a fugir da luz, clamando aos céus. Por Favor, faz com que o autocarro se atrase”.Cheguei às 7.05h à porta de embarque e o autocarro não estava lá. Não queria acreditar, pensei estar num pesadelo do qual esperava acordar a tempo de ouvir uma resposta negativa à pergunta “O autocarro para Minneapolis das 7h já partiu?” Nunca três letrinhas Y, E e S magoaram tanto. Tinha gasto 20 contos num bilhete para chegar no dia do concerto de Soul Asylum e seria um milagre encontrar outro autocarro que chegasse a tempo. Choro compulsivamente, reflexo de uma sobrecarga de stress, cansaço, pânico, desilusão por não perceber como me havia me descuidado com as horas quando estava tudo planeado ao minuto. 

 No balcão das Informações, o milagre que precisava. Um autocarro partia às 10 horas, mas levaria 32 horas a chegar a Minnieapolis o que significava chegar a tempo do jantar com a malta do Yahoo Group e seguir directa para o concerto no Fineline. Não teria tempo de tomar banho, descansar, ou deixar a mala na casa da Jen. A Soul Asylum fan, gotta to do, what a Soul Asylum fan gotta do!..


Post on “O’ jeez, its Soul Asylum” Yahoo group 

ATTENTION everyone hanabi_pt 3/15/01 9:07 am This message goes out to all of you coming to the concert on friday. I missed my bus to mpls (yes..i'm in terror too) but I managed to get on the next one. I'm arriving just in time for dinner but I’ll be smelly grumpy and in comatose state. After 2 days travelling on a greyhound bus I’m gonna be really smelly!!!! lol 
 P.S - We portuguese are never on time for anything... I think it’s a curse lol 

ALL ABOARD GREYHOUND!

 Uma das desvantagens deste percurso (para além de durar 32h!) é fazer o desvio por BUFALLO, contabilizando um total de 3 mudanças de autocarro. ARRE! 

Tento telefonar à Margaret que vive no Canadá (visto estar perto da fronteira do Canadá) mas não obtenho ligação. 

 A bordo do novo autocarro, seguem duas mulheres perdidas de bêbadas, vestidas como um árvore de Natal (conveniente, caso desmaiem de coma alcoólico), do mais desbocado possível. Nome de Código: “Manas bêbadas que nem cachos”. Ainda um casal que tem tudo a ver com a palavra “White Trash” e miúdos que pareciam ser alimentados por baterias duracell com MUITO MAU feitio. 

 Sentado ao meu lado, na primeira fila, ao lado do condutor, um matulão alto, bem constituído, cabelo rapado, com pêra, óculos escuros, voz intensamente grave, com tatuagens espalhadas pelo corpo e phones nos ouvidos. 

 Aspecto: assustador. 
Temperamento: acolhedor. (olha, rimei!). 

Chama-se Jason e disse estar a fugir das “manas bêbadas que nem cachos”. 

 “Wise decision!” Concordei. 

 Imaginei as conversas interessantes que poderia ter sobre um gajo com tatuagens cool espalhadas pelo corpo, mas era noite, estava de rastos e embora o Jason fosse um gajo porreiro, ambos optamos por colocar os phones nos ouvidos e adormecer. Ele ao som de uma banda heavy, eu ao som de “Ornatos Violeta”. 

 23h, paragem em CLEVELAND para mudança de autocarro (again) Aproveito para escrever postal para a Joana, sentada na mala maravilha.




“Nice handwritting!” afirma o Jason, ao meu lado na fila para o novo autocarro  



A bordo do novo autocarro, o motorista nazi lança-me um ‘evil look’ ao comer uma bolacha “Don’t want no litter on my bus, ya hear?!?!” ruge. ARRE! 

 Sentar num estreito banco de autocarro com desconhecido ao lado, não ajuda o meu plano de dormir todo o caminho até Chicago. WHY GOD, WHY!?!??! 

Desconfio que o Jason não se importaria se utilizasse o seu ombro como almofada, mas não convém dar “ideias erradas” a gajo alto, rijo com voz grave e dezenas de tatuagens espalhadas pelo corpo. Eu tenho 1.58, fraca de braços e plena consciência que até os serial/rapists killers viajam de autocarro... (AH POIS...)

Wednesday, March 14, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN THEM # 2

NEW YORK, NEW YORK 

 Aproveitei a manhã para tratar de aspectos logísticos enquanto esperava que a Agência de Viagem do Hostel abrisse. Comprei selos, metrocard, bilhete para a Estátua da Liberdade e deambulei pelos corredores. Admito que a televisão na sala irrita-me profundamente, sobretudo tendo como controlo remoto a “Gorila Australiana”. Quem, no seu perfeito juízo, quer ver “The Jerry Springler Show” às 9 da manhã?!?! 

NUNCA, mas nunca, planear comprar bilhetes para voos domésticos no país para o qual viajamos. A sério, é meio caminho andado para um esgotamento nervoso. O período de férias deveria ser RELAX e não STRESS, com preocupações do género: Aguentar 28h de viagem de NY a Minneapolis num autocarro, conseguir um avião para Los Angeles de manhã e regressar a tempo de apanhar o avião de Nova Iorque com destino a Frankfurt para enfrentar um período de espera de 9horas até apanhar o avião de regresso ao belo do Portugal. UFF. 

 Depois de muitos suspiros de impaciência da rapariga da agência de viagem, ficou estabelecido que partiria para Los Angeles no aeroporto de La Guardia do dia 21 às 8h da manhã pela ‘módica!’ quantia de 355 dólares. Despachada e sem planos - Como é possível estar cansada antes de começar as férias?! Na minha experiência, a palavra “férias” significa: dobro do tempo para descansar das férias - sigo para Downtown pela estação de Bowling Green.  

Soube de uma tour grátis na Grand Central Station e não perdi a oportunidade de espreitar os segredos da mais bonita estação da cidade. O pormenor interessante foi no tecto, limpo na última remodelação feita, deixaram uma área não limpa para perceber como a poluição ao longo de décadas escondeu as  imagens simbólicas das constelações. Lamentalmente a minha compacta e lente 50mm não conseguiram captar a grandeza da estação.



 É reconfortante saber como funciona o complexo sistema de metro de Nova Iorque - uma vantagem de ser repetente. Estranhamente continuam a pedir-me informações sobre as linhas em espanhol. “I’m a tourist, no lo se...” (Desenrasque-se!) Ainda me lembrava da “Downtown tour” feita, o ano passado, e fui percorrendo o mesmo caminho, desta vez com uma máquina e lente teleobjectiva extra a tiracolo Battery Park - County Hall - Wall Street - Trinity Church 

Contorno uma das Twin Towers. Aquela zona residencial, de algum modo, faz-me lembrar os prédios modernos de Lisboa. Os ramos das árvores estão ‘adornadas’ por dezenas que sacos que dançam ao vento fazendo-me lembrar a minha cena favorita de American Beauty . Retorno ao Times Sq, já ao anoitecer. Aproveito para tirar fotos.




 No regresso ao Hostel, preparo tudo para a minha (longa) viagem para Minneapolis . Segundo o meu (ainda não encadernado) Travel Book, esperavam-me 6 estados: New Jersey (NJ), Pennsylvania (PA) Ohio (OH), Indiana (IN), Illinois (IL), Wisconsin (WI) num total de 32 horas num autocarro. 


 PLANO DE VIAGEM 

Partida às 7 da matina, chegada a Minneapolis às 3 da tarde. Muito simpática, a Jenifer ofereceu a sua casa para eu dormir depois do concerto de Soul Asylum. Teria tempo para tomar duche depois de longa viagem, descansar com baterias carregadas para o concerto para o qual havia esperado 7 anos! Confirmei todos os pormenores: 

 Hora de me levantar e preparar (check) 
Caminho mais curto para o Port Authority (check) 
Mala pronta (check) 
Lista de telefones assente no travel book (check) 

Por estar em sintonia quanto ao ódio de estimação pela gorila australiana, meti conversa com rapaz que viveu em Espanha e diz ter adorado o povo ibérico (raras palavras vindas da boca de um americano)   

Post on “O’ jeez, its Soul Asylum” Yahoo group 

  Re: Soul Asylum hanabi_pt 3/14/01 3:47 pm damn! I knew I should arrive on the 15th...Anyway, there's still the fineline show!!!! :)))) Oh, by the way, I'm alive and well, survived that 9hour flight from lisbon to NY. If you see me at show it means i survived the 28hour bus trip to Minneapolis lol Hey Todd, tape the radio show ok?!See you guys soon ruth 

p.s - if its freeezing in NY imagine in Mpls brrrrrr lol

Tuesday, March 13, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN day#1

INSANE IN THE MEMBRANE 

 Fazer uma directa para tratar de pormenores da viagem, torna-se útil quando se está no avião. Estamos demasiado cansados para entrar em pânico, podemos dormir 1 ou 2 horas e gastar as restantes a ver filmes maus! Esta viagem parecia uma daquelas aventuras kamikase da qual eu parecia não fazer parte.


  5 dias e 12 horas em NOVA IORQUE Concerto de Soul Asylum em MINNEAPOLIS (28h de autocarro) Acreditação Jornalística para os Óscares em LOS ANGELES 9h para ‘gastar’ em FRANKFURT à espera do voo de regresso a Lisboa Eu e a minha mala maravilha, partimos às 7 .30 da manhã. Assentos só para mim no avião a caminho de Frankfurt. Humm. Dormir...dormir - pelo menos 3 horas até chegar a Frankfurt. “Oh Deus, porque não consegui um voo directo!” pensava, ajeitando a mala para servir de almofada algures num banco, deveras duro, da cidade alemã. Como foi possível gastar 75 contos num voo (não directo) Lx-NYC-Lx, e ainda “Deus sabe quantos dólares” em voos domésticos (ainda por comprar). O ano passado gastei 105 contos para um voo directo Lx – NYC – LA – Lx. Um aumento de 40 contos em 12 meses?! Eishhh 

  15 .30 chegada a Nova Iorque O Murtas estava à minha espera no aeroporto e entregou-me o bilhete com destino a Minneapolis que lhe tinha pedido para comprar. Eu e a minha alergia a comprar o que quer que seja pela internet. O tempo estava constantemente instável e um Sr. Frio de Rachar. Na viagem de autocarro até à Penn Station de New Jersey conversamos sobre o facto de George W Bush ter ganho as eleições quando, claramente, era vontade dos norte americanos que o Gore vencesse. Ele falou num tal de “butterfly” counting method, mas, confesso, não fiquei esclarecida. “Porquê tanta atenção concentrada no estado da Florida?” Mencionou qualquer coisa como a Florida ser um “um estado chave” pois representa uma amostra da população americana. 

  Whatever... Primeira paragem – Visitor’s center - Times sq. E-maila daqui, e-mail-la dali Consegui encontrar o caminho para o Hostel sozinha. YAY! Mas, para variar, enganei-me no metro e apanhei o já famoso Express que pára em Harlem. BOLAS! Depois de me instalar no beliche de baixo do número 302, saí para comprar o reforço alimentar, a ser confeccionado no (sempre presente) “travelling pot” (aka Tacho). Andei à procura de um copy center na vã tentativa de encadernar o meu livro de viagem, mas não fazia a mínima ideia como se dizia “Encadernação de Arame”. Parecia uma parola a tentar explicar através de charadas estilo “Guess the Name of the Thing!” Numa das lojas que entrei, encontrei um proprietário black, estilo Dread maduro, de certeza seguidor dos ensinamentos Malcom X. Mostrava destreza intelectual em cultura afro americana, mas total ignorância em cultura geral.
  
 “Portugal?!?! Isn’t that in Brazil?!” (...bem, ao menos não disse “Espanha”...) 
“Didn’t Brazil colonize Portugal?” (...foi mais ao contrário...) 

 Ele não tinha argolas de metal, nem as seguintes 3 lojas, mas “ Metal Binding” era a palavra correcta. IRRA que está frio! De regresso ao Hostel, já com o prato de jantar na mão, verifico, para meu horror, que a TV já não está na cave, mas sim na sala, onde uma australiana insana (aka gorila australiana) detém o poder do controlo remoto. HUMFT

Thursday, April 20, 2000

U.S.A 2000

KICK ASS VACATION REPORT– PART II Welcome to LALA LAND and theBig Apple


New York City 

  Nova Iorque e Los Angeles são cidades completamente diferentes mas, adorei ambas. Nova Iorque por toda aquela mística urbana - é uma cidade com bastante História. Los Angeles, pelo contrário, não tem qualquer História. É, aliás, uma cidade construída a partir da ilusão do cinema. Por essa razão adorei pisar o chão de Los Angeles, ver de perto os locais de filmagem de filmes como “Speed”, “Pretty Woman”, “Heat”, City of Angels” “Blade Runner” e conhecer os Estúdios onde foram feitos filmes como “E.T”, “Indiana Jones” “Back to The Future”, “Ghost” etc etc. 

  Los Angeles é uma cidade de contrastes sociais acentuados. Numa rua existem casas luxuosas e pessoal abastado a passear no seu extravagante carro, numa rua abaixo, existem mendigos, drogados, pessoas a serem algemadas e presas à nossa frente, assim como pessoas a assediarem-nos com propostas duvidosas! Os transportes em L.A são inexistentes, daí haver estradas e mais auto estradas. Seis vias em cada sentido (!). Existem mais carros do que qualquer outra coisa. 

  Nova Iorque é uma cidade prática, lindíssima onde se observa o impossível: classe Média, Alta e Baixa, juntas no metro. Patinadores lado a lado com o trânsito local e cartazes à entrada de edifícios turísticos com a inscrição “Leave all your fire arms at the Lobby”. Existe uma grande diferença no comportamento das pessoas que vivem no Upper e Mid Downtown Manhanttan. Os habitantes de Upper Town (onde eu estava hospedada, mesmo á entrada de Harlem) são mais rudes e estão-se nas tintas para a ideia de“ Ajudar o próximo” – nesta zona, existem mais hispânicos e negros. Acho que falei mais espanhol do que inglês! Descobrir uma loja onde o vendedor percebesse inglês revelou-se problemático. Downtown é completamente diferente, pessoal amigável, disposto a ajudar e orgulhosos da cidade onde vive. Há todo aquele culto de, após um dia de trabalho, relaxar, fazer jogging e passear os cães no Central Park. 

 Até o modo de falar é diferente em ambas as cidades. Em L.A é uma forma de falar mais pausada do género “Relax”, em Nova Iorqueé uma linguagem mais rápida, carregada nas vogais e onde se distingue um residente de New Jersey, Brooklyn e Manhattan. 

 Em questões de segurança, ao contrário do que se prega. Nova Iorque é uma cidade segura. Andei sozinha pelo Central Park e estive na estação de metro de Harlem às 11 da noite! Ok, enganei-me no metro, apanhei o expresso que saía um quarteirão acima da rua onde queria ir. Escusado será de dizer que não repeti tal proeza e corri o mais depressa que um corpo, com uma mala de 25 quilos às costas, pode correr em direcção do hostel. 

 Em L.A, houve um maior receio de andar na rua. Os condutores da cidade dos anjos são completamente passados dos carretos. Andar de carro é um género de montanha russa! Em L.A basta estar numa rua abaixo ou acima e é um mundo completamente diferente. Em Nova Iorque existem zonas más, mas são zonas e não ruas paralelas. Actores, gente famosa, não vi, mas não foi por isso que quis viajar para Los Angeles. Mais facilmente me entusiasmo com o chão, edifícios, monumentos, estúdios do que com a visão de estrelas de cinema. Mesmo no autocarro, quando perguntava ao motorista qual era a paragem mais próxima dos Estúdios da Paramount perguntavam logo “So, you want to be a star?!” Não, é mesmo para ver o Estúdio (DUH). Definitivamente, em L.A, quem não tem carro, não é ninguém...

Los Angeles

Wednesday, April 19, 2000

Flying home...


Para comprovar que o Marco não se cinge a enviar mensagens de escárnio e mal dizer, eis o sms que enviou quando lhe entreguei o presente que trouxe no Museu do Cinema:

"Só mesmo para agradecer-te pela claquete, estava aqui a ouvir a Jewel e senti uma estranha força libertada deste objecto mágico trazido das terras dos sonhos. E isso fez-me acreditar...Obrigado"

No regresso a casa, aproveitei a longa viagem entre L.A- NYC- Lisboa para registar as peripécias de viagem em formato carta para o Marco. Acho que o cansaço acabou por vencer-me e não completei, ficando a meio de Staten Island...