backpacking my way through...

Saturday, April 01, 2000

KICK ASS VACATION Day #6



O primeiro dia em Toronto começou depois do almoço. Não sabia nada sobre a cidade por isso estava por conta da Margaret. Fomos buscar a Laura e entramos pela auto estrada a caminho da cidade. Por email a Margaret havia garantido que morava perto da cidade e foi neste dia que percebi que a noção de "perto" dos habitantes do continente americano, não é mesma dos europeus. Bem...dos portugueses. Uma hora de autoestrada, para mim, é como viajar a Santarém para comer uma sopa de pedra!

1ª paragem:

CN TOWER, a mais alta estrutura etc etc, ideal para "ver as vistas" e um simulador topo de gama. A Margaret conhecia a rapariga da bilheteira que fez um desconto à entrada. Excelente - para o pobre, poupar é bom! Curiosamente, encontrei a minha companheira da viagem de comboio. Small world.



2ªparagem: Multiplex. Quando saímos da Torre já era pôr do sol e estava um frio cortante. Passamos pelo Hockey Hall of Fame e este foi o nosso giro pela baixa. Uma ida ao cinema, fica bem, em toda a cidade, país ou continente, estando no continente americano, é uma óptima oportunidade para ver filmes ainda não estreados em Portugal. High Fidelity foi a nossa escolha - you can't go wrong with John Cusack! Antes do filme, uma pequena paragem pela loja dos cookies do tamanho de pratos!

3ªparagem STIR FRY , supostamente no mesmo bar onde foram gravadas cenas de "Pushing Tin" com o John Cusack e a Angelina Jolie. Abençoado bar, com opção vegetariana.

Friday, March 31, 2000

All Aboard!...

Penn Station /Madison Square Garden
Trip to Canada

As hostilidades continuaram, no balcão na Penn Station de Newark

little old me: I want to buy a ticket to Okville
stupid ass Okville?!?!!? What the hell is that? I never heard of Okville.
little old me: Its a stop just before Toronto, my friend told me to meet her at Okville.
stupid ass: You want to go to Okville or Toronto?!!? Make up your mind!!
confused little me: (ugh)Er... Toronto I guess...
stupid ass: When?
confused little me: the 28th, no 29th, wait...
stupid ass: Well, which is it?! (resmungo resmungo)
annoyed little me: (arg) ITS THE 31TH OF MARCH....(Jesus)

Rodrigo:(à parte) Olha, ele está a ser filho da puta contigo, sê filho da puta com ele.

bitch little me: Listen, I want a ticket to Okville
stupid ass: Jesus christ, make up your mind! You want to go to Okville or Toronto?!
bitch little me: OKVILLE! 31TH RETURNING ON THE 3ND OF APRIL
stupid ass: HERE!
bitch little me: THANK YOU... (asshole)

Durante a viagem de looooooooooongas 12h, houve todo o tempo do mundo para pôr a escrita em dia,dormir e morrer de tédio. Na deslocação ao vagão do restaurante, verifico, para meu terror, a escassa variedade culinária. Sandwiches daquelas em pão de forma milimétrico com muito mau aspecto e snacks. Fui ingénua em acreditar o que via nos filmes antigos - uma mesa posta com toalha branca e comida no prato servida em talheres de prata. Esqueçam ingenuidade, BURRICE é o termo correcto. 12 horas dentro do comboio da Amtrak com paragem em todos os apeadeiros foi o meu castigo.






Uma veterinária do Bronx meteu conversa comigo durante parte da viagem. Distingui o sotaque que tanto se fala e nunca percebi qual era a diferença. A minha companheira de viagem ia a caminho de uma conferência em Toronto e foi um agradável escape para o prolongamento de 3 horas devido a problemas na Alfândega. A polícia do lado americano entrou, pediu os passaportes e disparou perguntas comparáveis a sessões de tortura do KGB. A vida privada do casal à minha frente foi esmiúçada com questões que não lembram nem o menino Jesus: "Em que Igreja se vão casar?" (Mas que raio, o que é que o homem tem a ver com isso!!

Quando chegou a minha vez, imaginei-me numa daquelas mesas de interrogatório com um holofote de luz a ofuscar a vista, com suor a escorrer pelo rosto, gritando "A sério, Portugal, não é Cuba!!!!". De volta à realidade, o sr agente olha para o passaporte durante 1 seg e that was it!Aposto que pensou que era filha da veterinária americana. Isso ou eu tenho um rosto inocente. Segundo os sussuros dos passageiros, havia suspeitas de um fugitivo naquele comboio, daí o excesso de zelo.

Duas horas depois, o comboio sai da fronteira norte americana e entra na canadiana. Exclamei "aleluia, finalmente posso comer, estou esfomeada, até como a nojenta sandes de galinha!" Não necessariamente. Mais uma hora de burocracia no lado canadiano. IRRA!! Cheguei ao destino com 3 horas de atraso, mas felizmente a margaret lá estava para me buscar. UFF.



Thursday, March 30, 2000

KICK ASS VACATION Day #4

Dei-me por vencida na questão da sola descolada e fui obrigada a ir ao sapateiro mais próximo. Um sorridente senhor asiático garantia: "I'll fix it! I'll fix it! 10 minutes!" O facto de salientar que várias variedades de cola (cimento, borracha e cola tudo) falharam em manter a sola unida, não esmoreceu a firmeza da sua afirmação:"I'll fix it! I'll fix it! 10 minutes!". Justiça seja feita, o senhor tinha toda a razão...



Times Square

A imagem que tinha de Nova Iorque esteve sempre associada a 4 áreas míticas: Central Park, Estátua da Liberdade, Empire State Building e...Times Square. Praça da qual assistia todos os ano à Passagem de Ano, na televisão. Meti-me na linha vermelha da Broadway e saí na 50th street. À medida que subia os degraus da estação de metro, lentamente era-me desvendado todo o esplendor da Times Sq. O meu pescoço (e boca) assumiram a posição "AHHHHHHHH" e durante uma dezena de minutos os meus olhos não tocaram no chão (o que causou alguns encontrões e possibilidades de atropelamento). Ver a Times Sq. na televisão e postais é totalmente diferente do que ESTAR LÁ! O coração de Manhanttan pulsa aqui e, uma vez que pisamos aquele chão, percebemos porquê.

a Visitor’s Center
a Rockefeller Plaza


a Music Hall (ext)
a CBC,NBC and ABC Studios (ext)

Wednesday, March 29, 2000

KICK ASS VACATION Day #3

HARLEM GOSPEL TOUR

Tours de autocarro nunca estão nos meus planos porque 
a) são caras 
b) estamos num autocarro em movimento 
c) parecemos típicos 'turistas'. 

Porém, o bilhete foi-me oferecido (não diria que fosse pelos melhores motivos mas, a minha vingança consistiu nisso mesmo, e,foi uma tour bastante interessante. Fiquei a saber pormenores interessantes como: edifícios que foram utilizados como 'location' para filmes, o restaurante que serviu de inspiração para o episódio do "Seinfeld" - the soup nazi. Em Harlem, passamos pelo Apollo Theater e fomos a um serviço de uma igreja Baptista. Nesse dia, a sola da minha bota (que até a essa altura pensava que era cozida) descolou-se e durante todo o dia andei a arrastar a bota estilo chinelo. À noite, no hostel fui responsável por juntar toda a equipa de Manutenção que, por todos os meios, tentaram colar a dita sola...sem sucesso.

a 8th Avenue
a Central Park West
a Harlem
a 5th Avenue


Central Park

O meu plano era percorrer todo o parque, mas apenas consegui fazer metade do percurso devido ao cansaço e ao frio. Para a História fica o relato de como me perdi no "The Ramble". Durante alguns minutos a ideia de ser assassinada e esquartejada naquela mata selvagem, passou-me pela cabeça. Mais tarde, quando cheguei ao Belvedere Castle, a senhora do visitor center assegurou-me "Lots of people get lost in 'The Ramble'". Saí do Central Park ilesa,com todos os meus pertences, mas o curioso foi o telejornal das 21h noticiar o assalto a uma senhora por volta da mesma hora em que me encontrava no Parque. I guess I'm just lucky...


Bronx’s Zoo

Li algures que às Quartas, o zoo era grátis e decidi aventurar-me pelo Bronx, apesar de ter na cabeça aquela imagem das séries políciais em que o Bronx é uma selva pela qual não devemos embrenhar sozinhos. A viagem de metro foi longa e há medida que fui avançando pelo Bronx, as marcas de delinquência estavam estampadas nas estações de metro. O percurso até ao meu destino foi pacífico e agradável. You can't believe everything you see on the cop shows...

Tuesday, March 28, 2000

KICK ASS VACATION Day #2

Após ser expulsa do meu quarto por uma gaja ressacada, berrando: "You make to much god damn noise, GO AWAY!", assediada pelo que ontem parecia ser um simpático senhor indiano, hoje, um pé de chinelo hoping to get 'lucky!', sou a pessoa mais maltratada de toda a New York City (New Jersey incluída)




Em fuga... tentando ludibriar os avanços libidinosos do pé de chinelo que se ausentou-se para comprar comprar um bilhete de autocarro para Washington.

UPPERTOWN
a Riverside Park
a Riverside Church
a Grant’s Tomb

Rodrigo aceita ser cúmplice na minha fuga. Sucesso!
Bye bye pervert, hello downtown! Expectivas, entusiasmo, deslumbramento estão de volta. WELCOME TO THE BIG APPLE!

DOWNTOWN



a Little Italy
aChinatown
a Walking along the river side
a (Pier 11)



Trinity Church

FINANCIAL DISTRICT
a Wall Street
a Federal Hall National Monument
a New York Stock Exchange


Battery Park

Vi, pela primeira vez, a Estátua da Liberdade sob o pôr do sol a partir do bonito Battery Park. Aquele minúsculo pontinho na costa marítima representava tudo aquilo que Nova Iorque reservara para mim. Scarlett O'Hara sentiu o mesmo que eu quando proferiu as palavras: "Tomorrow is another day..."



Monday, March 27, 2000

KICK ASS VACATION Day #1

It's all happening!

Assistente de bordo: Quem fez a sua mala?
A interrogada:Eu.
Assistente de bordo:Quem fechou a sua mala?
A interrogada:Eu.
Assistente de bordo: Quem foi a última pessoa a pegar na sua mala?
A interrogada:Eu.
Assistente de bordo: Mais alguém mexeu na sua mala?
A interrogada: Não.
Assistente de bordo: Tem na mala algo que se assemelhe a uma arma de fogo?
A interrogada: Não.
Assistente de bordo:Tem na mala alguma arma de fogo?
A interrogada: Não. (pensando) "Ya, uma UZI! Irra enough with the bag already!


Todas as minhas expectativas, o meu deslumbramento e entusiasmo por Nova Iorque ficaram retidos na alfândega do aeroporto de Newark, a partir do momento que oiço o berro mal humorado da funcionária: "You need to sign here, here and here. NEXT!"

A negociação de 5 segundos de espera para assinar os malfadados cartões verdes foi em vão. Miss Speedy ultimou: "Get off the line and come back after you sign!"

A fila tinha meio quilómetro mas a Miss Speedy não cedeu. Quinze minutos depois, após várias perguntas feitas a 100 à hora que hesito respondeu por não perceber o que raio a mulher estava para ali a falar, Miss Speedy deliberou: (estala os dedos) "I need a translator here!"

Quem veio em meu salvamento?
Um espanhol. (DUH)

Ganhei voz nas cordas vocais e insisti que percebia inglês, apenas "you're just speaking too fast..."

Miss Speedy nunca estabeleceu contacto visual apesar de perguntas tão pessoais como: "What's the purpose of your visit?!", "How long will you stay in the United States?", "Where are you staying?"

Resultado.
A voz da minha consciência choramingava(em inglês, curiosamente): I don't think this is going to be a good stay...O meu bilhete de avião estava desaparecido em combate (assim como o Rodrigo).

ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!


Esta viagem havia sido preparada ao minimo pormenor durante meses, contudo, perder bilhete de regresso a Portugal, esquecer-me de trazer toda a informação sobre o transporte e localização do hostel não estava nos meus planos. O desaparecimento do Rodrigo também não mas, a girl has to do, what a girl has to do.

Large ass security: You can't get in here.
Rute preocupada: I've lost my ticket!
Large ass security: You can't get in here...
Rute pedindo ajuda: But, I've lost my ticket.
Large ass security: You can't get in here!!!
Rute esperando ajuda: But... er...I've lost my ticket
Large ass security: YOU CAN'T GET IN HERE!
Rute em pânico: I want to look for my ticket, I think I left it here..
Large ass security: Its not here...
Rute em desespero: Well, can you at least check?
Large ass security:(dando um passo atrás, olhando para a esquerda e para a direita) Its not here!

Pois, mas estava...Thank God for the found in the lost
O Rodrigo também apareceu, em boa hora pois eu não fazia um milésimo de mínima como sair daquele malfadado aeroporto e chegar até ao hostel.

a Newark for lunch

Quem diria ser possível comer filetes de pescada com arroz de grelos em New Jersey!

a Check in






Friday, June 04, 1999

RUTH DOES SCOTLAND June #6

FANCY A FILM?

THANK YOU FOR THE MUSIC

SO LONG, FAREWELL, AUF WIERDESIN GOOD BYE...









Monday, May 31, 1999

RUTH DOES SCOTLAND May #5

THANK YOU FOR THE MUSIC

Estava a folhear um jornal na Biblioteca da Universidade quando vi um anúncio relativo ao concerto da Jewel em Glasgow no dia 8 de Maio. Tentei manter a calma e li o anúncio atentamente. Não demorou muito para perceber que todos os planetas estariam alinhados e assistiria, pela primeira vez, a um concerto que ansiava à muito. O meu primeiro pensamento foi:

O Marco vai morrer de inveja!

O segundo foi:

VOU VER A JEWEL AO VIVO!!!





COOLING IN THE HILL

Inexplicavelmente, o sol rompeu, em força, a soturna neblina que se abateu no mês de Abril. De tal modo que a maior parte dos estudantes tomaram de assalto os terraços da Residência para apanhar banhos de sol. A Margaret e muitos outros pareciam camarões depois de pouca exposição oa sol. Foram idílicos 3 dias em que se improvisaram batalhas de água, festas de praia e foi a única vez que usei uma camisola de alças. Este prenúncio de Primavera foi um falso alarme, dias mais tarde, o tempo nublado e a chuva abateram-se sobre Glasgow e acabou por influenciar o meu estado de espiríto. Nenhum português sobrevive sem o sol. É um facto!



LOST IN BUTE







Eu não viro a cara a andar a pé e tenho estofo suficiente para aguentar uma boa caminhada, mas quando nos dizem que chegar de um ponto A ao ponto B leva 35m de bicicleta, não pensem que reconverter esses 35m para 1h35 a pé, vos trará grandes resultados. Especialmente quando eu sou má a matemática e tenho problemas de orientação.

Desisti da bicicleta por ter um assento demasiado alto, a minha política em relação ao transporte de 2 rodas é: se não chego com os pés ao chão, montada no assento, não vou! . Todos os habitantes da Ilha, muito simpáticos - diziam sempre bom dia, desaconselhavam-me a seguir até Scalpie Bay a pé.

(Locais)"Olhe que isso é muito longe!"
(Eu)Eu estou habituada a andar a pé, sigo sempre em frente?
(Locais) Mas olhe que o melhor é voltar a trás até ao centro e subir pela estrada.
(Eu)Já estou a andar à meia hora, não vou voltar a trás, prefiro ir por aqui.
(Locais) Pronto, mas ainda é um esticão!
(Eu): Eu aguento, Obrigada!

NOTA MENTAL: BIG MISTAKE!!!!Dar sempre ouvidos à população local.

Pelo mapa, pode-se ver a enormidade da extensão caminhada para chegar a Scalpie Bay (assinalado a vermelho), comparada com a extensão (em linha recta) assinalada a negro, tal como muitos dos locais me haviam avisado.

Mesmo com o mapa na mão, meti-me por atalhos selvagens onde tive de voltar para trás e percorri extensões de estrada onde não se via viva alma - só as vacas a pastar. Houve alturas que julguei estar perdida e lancei um grande berro para o horizonte

"HELPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPP!!!!!!!!!!!!!!!"

Em resposta obti um "MOOOOOOOOOOOOOOOOOO!"

Depois, mais calma, vi referências no mapa (hotéis, monumentos, baías)e, lá encontrei a tal Baía, depois de atravessar um campo com touros. Só mesmo na Escócia é se vê touros a pastar na praia! Tive mesmo de aguardar pelo melhor momento para trespassar o curral, não fosse o touro bravo.

No regresso, assenti o conselho de ir de autocarro pela estrada principal. Lá apareceu um autocarro, depois de contar o meu calvário, o motorista do autocarro riu-se e não me cobrou bilhete. Demoramos 20m a chegar ao centro da cidade.

Friday, April 30, 1999

RUTH DOES SCOTLAND April #4

LESHER HALL ROMMIES


PART TIME JOB/SUNNY DAYS



Embora tivesse uma bolsa parcial equivalente a 470 ecus (o nome provisório para a moeda única europeia) e fosse isenta de pagar propina, teria de pagar a minha estadia no campus que era meia pensão e tudo o resto associado. Não tinha verba para muito mais, por isso não saía como os meus colegas que se aventuravam pela Escócia fora. Nesse captitulo estive bem servida nos dois anos anteriores. Ainda assim precisava de algo extra e não queria pedir aos meus pais. Uma colega do Julie B trabalhava part time num lar de idosos fancy quase ao lado do nosso campus e recomendou-me. Como era cidadã europeia não precisava de visto de trabalho e assim fiquei a trabalhar Sábados de manhã na área da manutenção, sempre de phones nos ouvidos a bombar Silence 4, a não ser quando era a pausa para o cházinho, na copa com muito simpáticas funcionárias. 5£ por hora o que na altura era o triplo dos valores exercidos por Portugal.



I’VE GOT MAIL
NOT! WEDNESDAY TV WORSHIP NIGHT A pose é a da série “Charlie’s Angels”, mas o serão televisivo das quartas feiras contemplava “E.R”, “Sex and the City” e “The Awful Truth” a série de Michael Moore. Assim que soavam as 21h, onde quer que estivesse, a sala comum do lesher era nossa! (Excepto nos dias em que um rotten egg batia-nos na chegada aos sofás e tomava conta do aparelho televisivo – os infames! Ameaças, discussões e planos de assassinato não demoviam os detractores, contudo havia sempre uma alminha caridosa que nos alojava no seu quarto para saciarmos a nossa sede de “televisismo”. Terça feira, a série britânica "Queer as Folk" era o meu pão nosso. A única maneira de me apanharem fora do computer room depois das 21h: Queer as Folk e Sex and the City. Se analisarmos bem, as séries eram iguais, uma na versão heterossexual, outra na versão homossexual, ambas FUNNY AS HELL! Desenganem-se, se pensam que uma série sobre um grupo de homossexuais, transmitido em horário nobre no canal britânico, passou despercebido e sem burburinho! Foi um escândalo! Polémico, controverso, pessoas ultrajadas a reclamar para a estação, tudo a falar sobre as cenas de sexo entre homens, o público adorava devido ao humor e à qualidade do guião. Eu era fã convicta e, digamos que a visão dos 3 actores principais, era um deslumbre para os olhos. Não se falou noutra coisa durante semanas. Eu participei activamente no debate: "Beijos entre homossexuais na televisão, sim ou não?!" With these gorgeous guys, bloody YEAH!!! SILENCE BECOMES IT SPRING BREAK EWAN MCGREGORSPOTTING! ROOM SWEET ROOM A ideia de “deixar recado” do Dean - uma mensagem na parte de trás de uma canção dos Pearl Jam (que fica sempre bem em qualquer porta de residência universitária)

Wednesday, March 31, 1999

RUTH DOES SCOTLAND March #3

OSCAR FEVER 



Desde que a cerimónia passou a ser transmitida em directo em 1991, NUNCA perdi uma noite dos Óscares. O ano em que estava na Escócia não seria diferente, porém proporcionar a directa em frente à telly foi complicado. Nenhum canal público exibia a cerimónia, portanto de nada servia a televisão na commom room da residência. A única possibilidade chamava-se Sky Premiere, um canal de cabo, apenas acessível no bar do St. Andrews College - bar esse que fechava à meia noite. Tentei reunir um grupo de valentes que aguentassem os olhos abertos pela madrugada fora, mas à última hora ninguém apareceu. Com dias de antecedência implorei ao guarda nocturno para me deixar ficar no bar depois da meia noite. Ele concordou, mas teria de ficar fechada à chave. Se houvesse alguma emergência, tinha o telefone. Digamos que a cerimónia dos Óscares manteve-me distraída, mas quando surgia o intervalo e olhava para o lado, apercebi-me, com algum receio, um serial killer podia fazer picadinho de Rute e não haveria telefone ou guarda a 500m de distância que me valesse. 


LONG LIVE THE W.W.W. 


Foi no St Andrew's College que abri a minha primeira conta de email. Via os meus colegas todos no computer room a mandar e receber emails em cada 10m e eu pensava que forma rápida de comunicar. Pensei, talvez assim recebesse mais notícias dos amigos de Portugal, já que via correio, era escasso ou reformulando, não com a mesma velocidade com que eu enviava cartas/postais. Pedi que me explicassem como se fazia e abri uma conta no hotmail. Nem todos os amigos  tinham conta electrónica, mas provou ser uma ferramente útil e mais uma forma de comuniciar em português, aliada ao modo carta, fax, carta e telefone.

O mundo cibernético, revelou-se muito mais importante, pois apresentou-me uma ferramenta em voga chamada Mirc (Internet Relay Chat) um programa onde é possivel conversar com pessoas que estão em canais temáticos. Sendo fã da banda Silence4, encontrei um site português bastante completo, que me fez entrar nesse chat onde diariamente falava com portugueses, igualmente fãs da banda. O autor do canal #silence4 era um tal de Grig (aka Mário Santos) e esse foi o ponto de partida para conhecer um novo grupo de amigos que me ajudariam a atenuar as saudades de Portugal. Para aceder ao canal teria de usar um nickname, e assim nasceu hanabi, a palavra japonesa para fogo-de-artifício.

Todos os dias, ao almoço na Caledonian, após o jantar no St. Andrew's, encontravam-me na computer room a teclar em português. Os colegas iam sair à noite, ao pub, ou mesmo o bar do campus do campus e lá estava eu,  criando uma rotina que só era interrompida quando, pelas 21h passavam as minhas séries favoritas, ia ao cinema ou quando o segurança delicadamente me "expulsava" pelas 23h.

Certo dia calhou teclar com um tal little_david_boy que revelou-se ser nada mais nada menos que o próprio David Fonseca (Tobias era o cão dele)


THANK YOU FOR THE MUSIC

Estava a folhear um jornal na Biblioteca da Caledonian quando vi um anúncio relativo ao concerto da Jewel em Glasgow. Tentei manter a calma e li o anúncio atentamente, 8 de Maio.. Não demorou muito para perceber que todos os planetas estariam alinhados e assistiria, pela primeira vez, a um concerto que ansiava à muito. O meu primeiro pensamento foi:

O Marco vai morrer de inveja!

O segundo foi:

VOU VER A JEWEL AO VIVO!!!


ALELUIA!



Friday, February 26, 1999

RUTH DOES SCOTLAND February#2

HANG MAN’S DAY! (nota para a Maggie) 

  
Carta para a Maggie (part I) 



Oficialmente o meu primeiro email! Yay!




Carta para a Maggie part II


  PLAYING HOOKIE 


Depois dos primeiros dias de aulas onde andei à nora, optei por fazer gazeta numa sexta-feira e passei o dia inteiro no meu spot cultural favorito de Glasgow, Kelvingrove. Estas escapadelas culturais já aconteciam na ESCS e estenderam-se  aqui para melhor interiorizar que a minha decisão de inscrição em Erasmus, não tinha objectivo educational. Não estava ali para obter uma equivalência na disciplina que ficou para trás, mas antes uma mudança de cenário, longe da experiência desgastante do último ano na universidade portuguesa. Por fim mentalizei que a informação absorvida seria sempre uma lição de adaptação muito além da educacional. Confesso abertamente que não gostava da Calendonian , tal como E.S.C.S e quando estava na sala de informática do St. Andrew's, uma universidade que formava professores, absorvia a sua azáfama e stress de estudo e trabalhos a entregar com fascinação porque trabalhavam e moldavam criatividade como crianças grandes, aquele stress "bom" que não sentia com o meu curso. A minha experiência no campus da universidade onde não estava inscrita seria uma lição para a vida com todos os seus aspectos bons e maus. 

GLASWEGIAN DIALECT


Apesar de ser uma aula direcionada para a Gestão, gostava da aula pois o professor era muito engraçado Uma vez que a turma era constituida por alunos estrangeiros, ele ensinava a descodificar o dialecto de Glasgow, que é por comparação, o equivalente ao português açoreano. Muitas palavras e gestos variavam do inglês - americano que estava mais habituada. Aprendi palavras novas como: bloke (rapaz), Hen (rapariga), Aye (sim), knickers (cuecas femininas), snog (beijo), cheerio (adeus) - que usava bastante com o motorista do autocarro. Eu mantive o sotaque americano, mas as terminações das minhas frases fugiam para o escocês e irlandês


FANCY A FILM 



Idas ao cinema aconteciam a ritmo semanal, no início ia sozinha da parte da tarde quando fazia gazeta  já bem enturmada na residencia ia com as gals à noite. Fui com o Chris ver o This Year's Love, dado o seu amor pela banda Stereophonics que faziam parte da banda sonora. Antes do filme começar o Chris advertiu "If I start crying don't worry". Nada de choro mas imensos risos com estas personagens disfuncionais procurando o Amor. A ausência de legendas não era um problema, mas quando o filme era de origem britânica ou irlandesa, era mais complicado decifrar, quanto mais a norte fosse. Aconteceu com Little Voice e penso que até os britânicos precisariam de um tradutor para fazer sentido do discurso da Brenda Blethyn 
 


 WHAT’S COOKING? 

 Não é novidade para ninguém: a culinária britânica não prima pela variedade e originalidade. Com esta constatação em mente, planeei levar um pouco da cozinha portuguesa para as terras do haggis (não como corpo de animal, muito menos as suas partes íntimas enfiadas em tripa, argh). Qual o alimento mais português que, curiosamente, não provém de Portugal? O Bacalhau , pois claro! Sequinho, salgado, embrulhado em jornal, dentro da bagagem já em excesso de peso, aguardando pelo dia em que seria transformado em delicioso Bacalhau à Brás. De modo a não empregnar o meu quarto, deixei as 4 generosas postas em cima do armário da cozinha comum da residência. O que aconteceu é matéria de lenda! 


No meu Hall, acredito que em TODA a residência, era a única que cozinhava. Quando digo “cozinhar”, englobo toda a operação de cozer alimentos frescos dentro uma panela ou assar utilizando o forno e não o processo de obter um prato que vem de uma embalagem em pó ou em estado congelado. Não sou nenhum chef de cozinha, mas quando saía daquela cozinha, esta emanava um cheirinho a batatas assadas, arroz ou stir fry – algo que vi no menu do refeitório e decidi experimentar. Legumes cortados, cozinhados com um pouco de óleo e molho de soja acompanhado de arrozinho. Nahm nham. Foi complicado gerir as minhas refeições, uma vez que nem todos os ingredientes que habitualmente usava, estavam disponíveis para compra. Recordo o meu estatuto de (falsa) vegetariana – nada de carne, tudo peixe ou legumes. No entanto, à boa maneira portuguesa, DESENRASQUEI-ME! Omelete estilo empadão cogumelos e batatinhas era o prato mais usual, se quisesse algo mais requintado, salmão fumado com batatas assadas em azeite com alho e o já mencionado stir fry com arroz. Crepes com molho doce era o snack favorito. De cada vez que saía da cozinha, num raio de 500 metros,dirigiam-se a mim com a frase: The kitchen always smells good when you cook… Pois é, amigos, issso é porque COZINHO! Não faço sopa saída de um saco em pó, ou sirvo massa banhada em molho de tomate – Isso lá é comida?! 

Senti terrivelmente saudades de: FRUTA: Nada de maçãs “siliconizadas” com brilho de escudo acabado de sair da Casa da Moeda, bananas mutantes ou laranjas tristemente encolhidas. Fruta a sério que sabe a fruta e não alimento geneticamente transformado. PÃO COM CÔDEA: Durante 4 longos meses (+ duas semanas) suportei o sacrifício de trincar pão de forma geneticamente modificado, cuja embalagem espremida, segundo o Tom “would end up in one big slice”. Eu sonhava com carcaças quentes com a manteiga a derreter-se, pão com côdea estaladiça e torradas com pão alentejano (suspiro...).