backpacking my way through...

Sunday, January 31, 1999

RUTH DOES SCOTLAND January #1

SETTLING IN

As primeiras duas semanas em Glasgow, serviram para tratar de toda a burocracia e papelada referente à minha nova cidadania.

Por ordem de importância

1. Instalar-me no St Andrew's College campus
2. Descontar travellers checks
3. Abrir uma conta bancária












4. Inscrever-me no curso

                                                                                                                                             


















Alguma vez se viu horário melhor? 11h semanais, 4 dias por semana, 3 disciplinas (Public Relations, Information Management e Business English). Comparado com o meu 3º ano na ESCS (cerca de 50 horas semanais, divididas por 12 disciplinas), a Calendonian é uma colónia de férias.

5.Adquirir cartão de biblioteca
6.Comprar passe













O trajecto do st. Andrew's até à Caledonian University implicava uma viagem de 30m de autocarro até ao centro da cidade, o John Corcoran aconselhou-me a ir de comboio até Cowcaddens e aí apanhar o metro (um dos mais claustrofóbicos da história da Europa). Argumentava que assim seria mais rápido. Obviamente, o Corcoran nunca comutou da Amora para Benfica - 1.30h de "deleite rodoviário" autocarro, barco e comboio. Trinta minutos num só autocarro era uma maravilha. Ainda por cima com o número 118 à porta do campus.

ET WRITE HOME


Uma vez instalada não perdi tempo em manter o contacto com Portugal e tornei-me numa writting home machine.Qualquer pretexto servia, um postal disponível na sala de cinema, o bloco que andava comigo para todo o lado, postais comprados na papelaria do St Andrews. O campus tinha serviço postal, a entrega de correio decorria em dois turnos (manhã e tarde) e funcionava ao sábado. Eu era a 2ª pessoa no campus que mais escrevia, a Myrna era a primeira (ela sim, uma recordista do Guiness!).

Conheci o Marco no Verão desse ano, colaborávamos no mesmo jornal, ele era o editor. A empatia foi imediata pois falávamos a mesma língua - Cinema! Meses antes de partir, atormentei-o com o facto de, uma vez no Reino Unido, podia ver, em primeiro lugar, a muito antecipada prequela da Guerra das Estrelas. Na resposta às minhas cartas, deixava sempre um comentário jocoso relativo a esse facto, mas transformou-se no perfeito pen pal. As suas cartas eram SEMPRE um antídoto para a má disposição.







Tuesday, January 26, 1999

RUTH DOES SCOTLAND go!

  WELCOME COMITEE



Embora estudasse na Caledonian, a minha residência estudantil não era naquele campus mas na St. Andrew's College, em Bearsden, onde passei os Verões de 97 e 98. Foi num pub que tive o primeiro contacto com estudantes da minha universidade, Luca, Chris e Barry e mais tarde, mas festas no apartamento do Luca, o grupo polaco, os grandes exploradores do território escocês.


Convites formais que recebemos pelo correio...


Estava indecisa de ia ou não, o maior incentivo seria conhecer outros portugueses que ali estudavam, pois, tirando o episódio do pub, esses eram os únicos portugueses que sabia existirem na cidade mas no final do 1º semestre, regressaram à base. Agradava-me visitar o edifício mas a ausência de traje formal e o conforto fofo das noite do nosso Hall, ditou a minha ausência.

Friday, January 22, 1999

RUTH DOES SCOTLAND set!

"I'm on a Plane...I can't complain" lah lah lah 

  



Thursday, January 21, 1999

RUTH DOES SCOTLAND get ready

Sempre me fascinou a ideia de passar um ano escolar noutro país, mas o ano escolar nunca o permitiu e sempre me pareceu uma gigantesca operação logística. O terceiro ano da universidade revelou-se um descalabro em termos de motivação de tal modo que questionei todo o propósito do curso de Relações Públicas. A minha estratégia de recuperação de notas salvou 3 disciplinas e recuperou outras tantas, mas não foi suficiente para passar na cadeira de Direito.

Perguntam vocês: "Direito, num curso de Relações Públicas?!" - Exactamente!

Tinha todo um ano lectivo para fazer uma disciplina o que impulsionou a minha candidatura no programa Erasmus.

O meu destino: o 2º semestre do terceiro ano de "Public Relations and Mass Media" na Caledonian University em Glasgow, a meia hora de distância de Bearsden e da Residência onde fiquei nos verões de 97 e 98.

A candidatura implicava uma apreciação dos outros candidatos tendo em conta as suas notas e currículo. Temi o pior, mas com nenhum outro candidato à vista, era bastantae óbvio que teria viagem marcada para Glasgow, na Escócia, entre:

22 Janeiro a 4 de Junho 1999 com o Programa Erasmus




REGRAS PARA FESTAS DE DESPEDIDA

Regra nº1:Nunca marcar festas na véspera da partida

Regra nº2:Deixar as malas prontas antes da festa

Regra nº3:Nunca pedir à Joana para marcar o restaurante.



Regra nº4: Afastar os convidados do bar de alterne adjacente ao restaurante.



Regra nº5:Dosear a sangria para evitar palavreado sangrento.



Regra nº6: Não tentar o Marco com o comentário: "Eu vou ver o Star Wars primeiro que tu!"



Sunday, August 09, 1998

P.S - SCOTLAND 1998

18 de Julho a 8 de Agosto



















O segundo ano no St. Andrew’s foi...diferente. Regressar à Escócia traduziu-se numa maratona de angariação de fundos e busca de 3 semanas livres no congestionado calendário. Em Maio iniciei um part time no Jardim Zoológico e a colaboração no jornal Inside, na rubrica de cinema. Corria o conturbado 3º ano da universidade e não havia trovões ou apocalipse suficientes para me deter.

IT CAN’T RAIN ALL THE TIME



A Escócia recebia-nos com chuva...montes dela! O boletim meteorológico parecia combinar com o meu estado de espírito. Estava confinada aos halls vazios com a pendente tarefa de terminar os artigos para o Inside, sem a possibilidade de sair em passeio para lado nenhum devido à chuva. Até o Dean estava física e emocionalmente ausente - nesse ano, estava de serviço na cantina do campus.

THE BRITISH AIRWAYS AFFAIR

A British Airways é campeã olímpica na perda de bagagem mas o nosso grupo foi atingido forte e feio. A minha mãe insistiu que levasse o material da natação e sapatos num saco de viagem velho que tinha lá por casa. As mães têm o dom da premonição porque o tal saco perdeu-se algures no continente europeu, juntamente com a bagagem de algumas pessoas da comitiva. A Vera ficou sem a mala contendo tudo (mesmo TUDO!) e não viu as roupinhas, pequenos electrodomésticos, estojo de higiene, durante as 3 semanas. Eu tive mais sorte, o meu velho saco ficou rasgado e queimado, uma das minha sandálias de tacão alto ficou marcada por um buraco (sabe Deus o que se passou no porão daquele avião), mas eu ganhei um saco de viagem novinho em folha. "As intrépidas aventuras da bagagem perdida", podia ser o nome deste filme com o John Corcoran como protagonista. O nosso herói a fazer frente à burocracia da papelada "bagagem perdida".



FILLING UP THE DULL MOMENTS

Por não estar inscrita nas aulas, era um verdadeiro desafio manter-me activa durante as manhãs. Essa opção deveu-se meramente a motivos monetários, com muita pena minha, pois o melhor incentivo visual do summer course era o professor Paul. Ahhhhh, o Paul... a razão porque qualquer aluna deseja levantar-se cedo para ir às aulas e deleitar-se com este escocês que ia para a escola sempre despenteado com aquele sorriso de quem teve as noites ocupadas ...




Uma vez livre das obrigações jornalísticas, o John e o Simon convidaram-me para ir com eles jogar golf. Once in Scotland...mais vale observar o desporto favorito dos escoceses. Nem sequer fui uma boa “caddy”, nem joguei. Não percebia patavina das regras e o porquê do entusiasmo que leva as pessoas a jogar desporto mais chato e demorado. Consegui levar para casa uma bola de golf perdida algures no campo.

A comitiva portuguesa pouco ou nada tinha em comum com a do ano passado, apesar de uma dúzia de bravos que bisaram a sua presença: Joana, Leonardo e Isabel entre eles. Até a atribuição dos quarto foi assombrada pelo infortúnio. Não havia suficientes quartos vagos e, eu e a Joana, dividimos um quarto gelado na cave do Olgivie Hall nos primeiros dias. Depois disso o quarto na ala mais barulhenta e indisciplinada do Julie B. Hall. Só na 2ª semana me foi concedido um quarto só para mim. Uff, alívio, já me doíam as costas do colchão de molas.

CRAZY NIGHTS

Aquele colchão de molas, testemunhou momentos deveras tenebrosos

“SLEEP OVERS” do Leonardo amedrontado com a ideia de fantasmas no seu quarto (dizia ele). Definitivamente, colchões de molas não foram feitos para albergar duas pessoas.

NÁUSEAS e adjacente vómito da Joana, enojada com a insinuação sexual do líder do grupo espanhol. ARGH (e o meu rico colchão é que pagou as favas).

MOMENTO DUH ao percebermos que o “hottie” do alemão, sósia do Patrick Swayze em Dirty Dancing era um idiota chapado.

Piada da noite:
Eu: I think you should leave..
Gajo totó:Why?
Eu: Cause I wanna go to sleep and you’re standing on my spring bed.

(Os berbicaxos que a Joana me arranja...)

EXERCÍCIO NOCTURNO: Luta de cócegas até à rendição! Eu e o Leonardo (e a Joana como árbitro) levávamos o desporto muito a sério. Certo dia, já madrugada, a Isaura, nossa líder de grupo, surge de rompante à porta apanhando-nos, literalmente, num novelo humano:

“Podem dizer-me porquê tanto barulho a estas horas?! Tenham vergonha e sejam vocês a dar o exemplo aos mais novos” - berrou para nos fixar em silêncio durante (o que nos pareceu) 5 minutos.

A Joana ria-se entredentes, o Leonardo entrou em piloto automático “desculpivo”, eu (em pleno mortal invertido), transformei-me em pimento vermelho tal o tamanho do embaraço. A imagem da Isaura, na ombreira da porta, a exigir “Pouco Barulho!” surgiria de novo mas, desta vez, os perpetradores eram os monitores, bêbados que nem cachos. No quarto do Big John decorria uma private party”e eu e a Joana éramos as únicas pessoas sóbrias que testemunharam inloco o efeito das spirited drinks.
Dias mais tarde, captei o (conhecido) efeito ébrio St Andrews ao fotografar o Kieran e o Sandy em flagrante exposição de umbigos.



TV EVENINGS and CULTURAL AFTERNOONS

As noites, após o jantar (18h.) seguiam um religioso padrão televisivo: dois episódios dos Simpsons, sessões de cinema cortesia do Mr. Leonardo, conhecido no campus como “Aquele que Mais Dinheiro Gastou em Compras (tudo em argumentos, posters e memorabilia). Vejam-me possuída pelo espírito da “Thing” do John Carpenter



Pelo segundo ano na Escócia, já me movia sozinha pelas ruas de Glasgow o que permitiu delinear um itinerário cultural próprio. Vi “The wedding Singer” no ABC na Sachiehall St. e o Godzilla no Odeon - O Adam Sandler safou-se melhor que o anfíbio mutante made in Hollywood, importado do Japão. Na McLellan Galleries estava patente uma exposição fantástica denominada “Movie Magic”. Ali encontrava-se uma impressionante colecção de maquetas, criaturas, guarda roupa e adereços de grandes sucessos cinematográficos. O chapéu e chicote de Indiana Jones, as armas do Batman, os sapatos de rubi da Judi Garland em “O Feiticeiro de Oz”, o colete usado por Kate Winslet em “Titanic” e muito mais. A exposição tinha “rasgos” de casa de terror uma vez que as salas escuras escondiam... surpresas. Fui surpreendida por um “BOO!” do Batman que pensei ser de cera, e, o toque horripilante de um casal de aliens vindos directamente do filme de Ridley Scott. Acho que os meus gritos assustaram as criaturas...

Não resisti oscular a Alien Queen Mother.



LYNX EFFECT

Pela primeira vez acreditei na premissa de um anúncio de desodorizante masculino ao sentir o efeito inebriante do perfume do Dean. O anúncio do Lynx (o nosso Axe) garantia imediata atracção ao sexo oposto tal íman que se cola ao metal. De facto, as minhas narinas não se conseguiam separar do “jumper” (vulgo, camisolão) do Dean, pulverizado com o dito desodorizante. O pobre rapaz esteve perto de me entregar às autoridades por assédio olfactivo, mas optou por despir o jumper e entregá-lo para o meu sniffing pleasure.

DISCO INFERNO

Nem a distância física e cultural, conseguiu separar o insuportável Netinho e o saturante “Feijão com Arroz” da Daniela Mercury. Alunos do Colégio da Marisol, de algum modo, conseguiram convencer o DJ a tocar os álbuns que guardam o recorde de discos mais tocados de 1998.

Decorria uma verdadeira operação de contrabando alcoólico com o uso vergonhoso de B.Is alheios para adquirir álcool. O caso tornou-se sério quando os alunos mais jovens apareciam de ressaca nas aulas com mau comportamento disciplinar. É o que acontece quando colocam putos de colégios privados à solta, num curso no estrangeiro. Na Grã- Bretanha levam muito a sério a proibição de álcool a menores. Tentem explicar isso a putos de 15 anos, pela primeira vez fora da casa dos pais.

Eu provei Bacardi melancia pela primeira vez e gostei. Ao contrário do parecer clínico da Joana, eu não estava bêbada. “Happiness gets me drunk”dizia eu. E, a face rosada era o efeito da dança. Honest!

CROSS COUNTRY


Esta viagem foi um autêntico fiasco fotográfico. Três rolos de fotos cinzentas, desinteressantes tiradas com a uma singela compacta. Nem sequer peguei na Zenit tal era a frustração do tempo nublado e chuvoso. A kodak Advantix da Joana lá me salvou a vida, registando os momento na vida do St. Andrew’s College.

O Itinerário era diferente do ano passado e incluiu:

Culzen Castle

Chovia a potes mas isso não impediu de disfrutar a magnífica vista do castelo.Infelizmente impediu de tirar fotos

William Wallace Monument (Stirling)

É um mistério porque a estátua do Mel Gibson encarnando William Wallace está à porta de um monumento construído no séc XIX. Tendo em conta que descobrimos a verdadeira história de Wallace no interior do museu e percebe-se que não coincide exactamente com o filme é, passo a redundância, um mistério...misterioso.

Celtic Park



O nosso guia na visita ao estádio do Celtic tinha de ser o Kieran, pois claro, e nós partilhavamos o seu entusiamo. Até gritamos em uníssono "Scum of the Earth" quando foi mencionado o nome dos eternos rivais do Celtic - os Glasgow Rangers. Vocês sabiam que o Rod Steward tem um banco reservado no estádio com o seu nome?! Pronto, agora já sabem e podem espalhar a palavra...

Edinburgh



Sem surpresa, estava a chover quando visitámos a capital. A caminhada teve início no palácio de Holyrood, seguimos pela High Street, parámos perto da catedral de st. Giles, perto de um passeio de pedra fazendo um desenho de um coração - Heart of Midlothian. Reza a tradição que quem pedir um desejo e cuspir para dentro do coração, consegue concretizá-lo. Uma tradição deveras escatológica... Pude visitar partes diferentes do castelo, pois a sua extensão é tão grande que levaria 2 dias a ver tudo. Edinburgh é um dos raros sítios onde a visão de jovens de kilt deleita o olhar feminino. Se estão à espera de verem as brasas dos anúncios de whiskey escocês nas ruas da Escócia desenganem-se, mas nas lojas de turismo até terão sorte. Não resisti a atirar um "nice legs!" ao rapazinho que distribuia os panfletos à porta de uma loja. Não sei quem estabeleceu o comprimento dos kilts mas agrada-me o facto dos kilts masculinos serem mais curtos que os femininos.Não esquecer que o "verdadeiro escocês" não usa roupa interior. Irra, com aquele tecido a fazer comichão na pele, merecem uma medalha!

Glasgow



A Sauchiehall street, Argyle Street, Waterloo Street, a baixa foi devidamente esmiuçada durante a minha estadia. Esmiuçada com o olhar, compras nicles. A minha escassez monetária em férias é legendária. Pelo caminho encontrava o João e o Leonardo em pleno shopping spree. Até charutos eles compraram!

Luss



Visitámos uma pequena vila do Loch Lomond, óptima para actividades aquáticas. Franzi o sobrolho quando o Big John sugeriu que deveríamos trazer o nosso fato de banho para dar um mergulho. Estava nevoeiro!Junto ao posto de turismo decorria um concurso de Highland Fling onde meninas de saias de riscas garidas e sapatilhas de bailarina, saltitavam no palco. Aquilo é que é destreza nos pés!

Helensburgh



Não é uma boa ideia despejarem-nos do autocarro para uma cidade onde não há nada de interessante para visitar, para "fazer compras".E eu, faço o quê?!

Largs / Troons / Oban



O melhor das três cidades foi Oban que tem lojas muitos interessantes mas ainda não foi desta que visitámos a Torre McCaig. Segundo uma brochura que fisguei no posto de turismo, uma torre de inspiração romana que manteve os pedreiros ocupados mas ficou incompleta após a morte do filantropo que a mandou construir.pelo caminho visitámos o Castelo Inveraray

Aberfoyle



Mais uma cidade de "passagem". Para a história fica o episódio em que roubei um postal inadvertidamente. Juro! Esqueci-me que o tinha na mão e saí da loja sem o pagar. Sou uma fora-da-lei...tal como o Rob Roy. Nesse dia visitei o museu que perpetua a sua memória e fiquei aliviada ao saber que os fora-da-lei também podem ser heróis.

Glen Coe

A viagem para Glen Coe foi longa, atribulada e para chegar a tempo do jantar, apenas ficámos meia hora. A visão do Paul em Glen Coe foi duplamente interessante. Ahh, o Paul...

SO LONG, FAIRWELL, AUF WIERDESEN, GOODBYE



A despedida é sempre difícil, especialmente se saio da Escócia sem vislumbrar o Ewan McGregor, quando ele está tão perto. Desta fez, o meu escocês favorito inaugurou uma distilaria na Ilha de Arran, mas o mais próximo que tive dele foi no visionamento de "Trainsporting". Sem legendas foi uma experiência surreal. Finalmente percebi o uso da palavra "bufty" (gay). O Kieran, Dean e Simon andavam de um lado para o outro a dizer "bufty juice" - descrevendo tudo o que não é cerveja.

Para trás, ficou o intercâmbio gastronómico entre Itália - Portugal (o bacalhau ganhou!), o alarme de incêndio accionado às 3 da manhã (duas vezes),os serões no Julie B. Hall e a promessa de voltar um dia...
































Tuesday, August 12, 1997

P.S - SCOTLAND 1997

SUMMER COURSE

24 Julho a 11 Agosto



Tinha 20 anos e estava no 2º ano da universidade quando li o cartaz sobre o St Andrews College Summer Course na Universidade vizinha, a ESE de Lisboa. "Venha viver o sonho e aprender inglês", anunciava o cartaz e tinha razão...

ARRIVAL

Éramos cerca de 62 portugueses de norte a sul do país (incluindo ilhas) com idades compreendidas entre os 12 aos 40. Ocupávamos dois autocarros e rumamos a Bearden -um subúrbio de Glasgow onde estava situada a Universidade. Chegamos ao fim do dia e apenas houve tempo para um late supper no refeitório. Fomos recebidos por John Corcoran, o director das quatro Residências, baptizadas com o nome de quatro freiras. O campus da Universidade havia sido um convento e esse facto revelar- se ia deveras propício para as famosas ghost stories contadas pelo John McMannus. O grupo português estava concentrado no Julie B. Hall. Eu fiquei no 3ºandar, no quarto #67 com uma vista fabulosa para Bearsden. O meu quarto estava paredes meias com duas raparigas: a Joana e a Vera. Passados 3 dias éramos as melhores amigas.



THE STAFF

A equipa do Summer Course dividia-se em professores e os monitores responsáveis pelas actividades desportivas, culturais e ainda os responsáveis pelas viagens de grande distância. Noel e Ruth eram ingleses, Kieran e Dara, irlandeses, John McMannus (Big John), John Angus (Little John), Simon, Malcom, James, Lynn e Thierry, escoceses. A empatia com o grupo português foi imediata.



FIRST DAYS

O primeiro dia foi marcado pelo teste diagnóstico para avaliar o nosso nível de Inglês e dividir as turmas consoante o resultado. Foi feita uma visita guiada ao campus, o Dean - um rapaz de 15 anos bastante bem humorado, foi o nosso guia. Para além das salas de aula, refeitório e residências, o St Andrews tinha igualmente um complexo desportivo que incluía, piscina, campos de ténis e ginásio.

No segundo dia foi planeado um “pequeno” passeio por Bearsden. O Kieran liderou a 2ª caminhada - mais 5 quilómetros extra! Na sua diligente iniciativa, incentivava: Come on, is just a small walk stop wining! Foi a mais longa caminhada que alguma vez percorri. Visitamos os vestígios romanos, a chamada “Roman Bath House” e o “Roman Hall” no cemitério de Milgavie. Nunca tinha visto um cemitério assim. Centenas de metros de túmulos (a maioria com séculos de idade) cruzes de pedra em motivo celta e anjos esculpidos com vista para Bearsden.

A nossa estadia no Summer Course foi muito bem coberta pelos "media"



THE CLASSES

As aulas de Inglês ocupavam a manhã das 9h às 12.30h. A maior parte dos alunos detestava levantar-se cedo (afinal de contas, férias não incluem atitudes madrugadoras...), mas eu adorava as aulas. A meio da manhã, o Dean (por vezes o Kieran) aparecia na sala de aulas para comunicar o plano de actividades para esse dia. No início foi difícil encontrar a sala de aula, dado o caminho labiríntico por entre os corredores. Estava inserida na turma de “Advance English”, tinha o Noel e a Ruth como professores. As turmas eram multi nacionais para evitar que falássemos uns com os outros na língua materna. ENGLISH, please! era o constante apelo da professora Ruth. Eu e o Leonardo éramos os mais participativos, ambos fluentes em inglês, curiosamente, ambos fãs de cinema – daí o sotaque americano. Durante toda a minha estadia eu assinei o meu nome como “Ruth”.

Why? inquiria o Noel
I prefer Ruth so people don’t call me Ruta, since foreigners can’t pronounce my name.

Escusado será dizer que, volta e meia, chamava-me “Ruta” à rebelia. O Noel é talvez o inglês mais divertido e um dos melhores professores que tive. Estava sempre sério mas tinha um humor negro nota 20.

CULTURAL GAP

O 'campus' do St Andrew's servia igualmente a comunidade. As residências funcionavam como pousadas durante o Verão. Muitos jogadores descobertos por "olheiros" faziam as provas ou estágios nos campos de futebol da universidade. A piscina e instalações desportivas que incluíam, o ginásio, campos de ténis e futebol. Este último, palco de grande desgarradas futebolísticas entre os professores e os alunos, estavam abertos ao público em geral. Dois brasileiros apareceram no campus para fazer provas de selecção para uma equipa de futebol de Glasgow.

O Kieran estava em pulgas para saber para que equipa estavam a fazer provas. Destacou-nos para investigar, uma vez que partilhávamos a mesma língua. Sort of...

Brazucas: Ué, vocês são de Portugáu? Lá tambêm há marr?
Portugas:Er...Sim, metade do país é costa...
Brazucas:E vocéis lá tambêm falam portuguéis?
Portugas:Er...sim, nós inventamos o português...(duh)

O St. Andrews nesse ano, acolheu a NYOS (National Youth Orchestra of Scotland), dezenas de jovens reuniam-se no salão para ensaiar. Eu costumava assistir aos ensaios e foi assim que conheci o Peter, um americano do Oklahoma. Dias depois de o conhecer, vi-o no salão e cumprimentei-o achando estranho ele retrair-se cada vez que avançava para o beijar na cara.

Duas hipóteses para este cenário

a)Tinha mau hálito
b)Era repugnante

A explicação surgiu no dia seguinte pela voz do Peter.
“I’m really sorry about the other day but in America we say hello shaking hands.”

NO KISS FOR USA! humft

PORTUGUESE DO IT BETTER!

Havia um placard para cada nacionalidade presente no St. Andrew's, o nosso era predominante, mérito da Isaura. Nós absorvemos, participamos, aderimos, concorremos a tudo: jantares tipicamente portugueses - o belo do bacalhau à Brás (eu e a Joana ficamos encarregues de desencantar o azeite - tarefa não tão fácil como aparenta), jogos, actividades desportivas, karaokes, discos, festivais, festas privadas nos quartos (umas mais privadas que outras...). A própria commom room tinha o espaço “Chá e Café”. Diziam os entendidos: “o café do St. Andrew’s é água de lavar pratos”).


THE FUN CONTINUES...



CEIDTH



Lê-se "kaylee", é tão complexo quanto dança sincronizada debaixo de água e é dez vezes mais perigoso (especialmente se o Sandy e o Malcom estiverem por perto). Não me refiro a nenhuma árdua prova escocesa mas sim a encantadora dança escocesa. Com par ou em grupo, com conhecimento ou sem ele, as aulas de ceidth deixavam sempre marcas (por vezes torcicolos e ruptura de ligamentos)

O diácono Leonardo lol tinha uma palavra a dizer...(ou mais!)



SPORTING ACTIVITIES


(a pirraça entre o Kieran e a equipa dos estudantes era histórica)





”CADETE PUTS THE BALL IN THE NETY”

Sempre que mencionávamos a nacionalidade portuguesa, os escoceses mostravam um thumbs up acrescentado com um sorriso de orelha a orelha: “Cadete!”. O ex-jogador do Sporting – apelidado de “juba de leão” no Secundário (o Figo era o “caniche” – todas as estrelas do futebol têm um tenebroso passado capilar...) - foi elevado a santo por golos em nome do Celtic. Este era o clube de eleição do nosso querido Kieran e, por afinidade, também o nosso. Isto queria dizer que juraríamos desprezo à equipa rival – os Rangers, igualmente de Glasgow

A Joana assistiu a um jogo e presenciou in loco a “febre Cadete”. Infelizmente o Cadete estava de férias no belo Portugal mas, o Kieran prontificou-se a reproduzir os cânticos dedicados ao jogador favorito dos glaswegians.

SCOTTISH WEATHER

Foi-nos dito que a Escócia era o país das quatro estações no mesmo dia. Preparei a minha bagagem de acordo com essa ideia: corta vento com capuz, casacos quentes, blusas de manga comprida, botas de inverno, porém, a Escócia acolheu-nos com um sol quente e radiante que os escoceses não estavam habituados. A denominada heat wave proporcionou inúmeras idas à piscina com direito a sessão de bronze, telefonemas para casa pedindo roupas leves. Quando recebemos os pacotes postais com roupa leve...começou a chover.

That’s Scotland for you!






BOO!

O John Angus,e xímio contador de histórias, com aquela voz grave estilo Christopher Lee revelou-se o orador perfeito. O John tinha espalhado o terror por entre os halls da residência com as histórias das freiras que tinham sido assassinadas em África e os pingos de sangue e passos que ecoavam pelos halls durante a noite. “I swear to you, I’ve seen one of them right here where I’m standing...”. A Joana acordou uma noite em pânico ao jurar ouvir pingos da janela do quarto, os mais novos recusavam-se dormir sozinhos em certos quartos e a descoberta do levantamento do cemitério onde foi construído o colégio não sossegava as mentes dos mais novos.

Na Ghost Night, e enquanto o John narrava as suas histórias, pingas de sangue escorreram pelas janelas da commom room, ouviram-se uivos de dor e sons de correntes. O John e o Sandy ficaram perplexos e, desta vez, a vingança era nossa MUAHHHHHHHHHHHHHHHHAHAHAHAHAHAHH


CROSS COUNTRY

Eu apenas levei 3 rolos fotográficos com a plena convicção que seria suficiente. BIG MISTAKE! Tive de pedir um rolo emprestado e passei largos meses a tentar recolher cópias dos outros para preencher o meu álbum. O impacto dos filmes: “Braveheart” de Mel Gibson e “Rob Roy” de Michael Caton-Jones no turismo escocês foi gigantesco. Por todo o lado surgiam menções aos filmes para dar a conhecer os heróis nacionais.

Visitamos os mais belos lugares da Bonnie Scotland. Da janela do nosso autocarro avistámos extensas planícies verdes com as highland coos (vacas de longo pêlo ruivo), resmas de carneiros e ovelhas, cemitérios, belíssimos lochs e montanhas.



O itinerário incluiu:

Glasgow a maior cidade do país. Visitamos o Museu do Transporte e Kelvingrove. O James levou-nos ao Jardim Botânico na nossa primeira viagem de autocarro. O 118 é o nosso amigo...

Bearsden tinha igualmente os seus cantinhos maravilhosos, um lago com patinhos e cisnes que ficaram obesos com a quantidade de pão que lhes oferecíamos. Não muito longe do St Andrew’s uma colina com vista para o Loch Lomond e Trossards era protagonista das Queen View Walks. Só os valentes e mais agasalhados conseguem chegar ao topo sem choramingar!

Edinburgh A capital do país que fervilhava com a presença de turistas, muitos italianos e resmas de japoneses (a julgar pelas máquinas fotográficas/câmaras em riste). Ao longo da Broad Street dezenas de lojas de souveniers com funcionários vestidos a rigor com o kilt. Um deleite visual tendo em conta que os altos e torneados jovens substituíam a visão dos velhotes flácidos de cabelo branco com a gaita de foles que surgiam em cada esquina, loch, vila escocesa. O castelo, construído em cima de um vulcão extinto é, talvez, o maior do país e 3 horas não foram suficientes para ver todos os recantos. Às 13 da tarde soam os canhões que entoavam pela cidade prestes a receber o conhecido festival de Edinburgh.




Loch Lomond Viajámos de barco para uma pequena ilha com um pontão divinal e uma caverna que foi esconderijo do Rob Roy.

Stirling Uma pequena cidade histórica com o seu castelo altaneiro, conhecida pela batalha que William Wallace travou contra os ingleses. No filme, a batalha é travada em campo aberto, mas na realidade tudo aconteceu numa ponte de pedra que avistámos ao longe. Todas as cidades têm cemitérios lindíssimos.

Crieff - Perhshire A Distilaria de whisky, poiso do gato Tawser, detentor do Guiness Book por longevidade e maior número de ratos caçados. Esta é a terra natal do Ewan McGregor mas, muito infelizmente, o gajo estava em Londres.

Com os portugas em solo britânico, a expressão “Pontualidade Britânica” foi substituída pela “Pontualidade Portuguesa”, ou seja, todos chegavam atrasados provocando dores de cabeça aos monitores.


St. Andrews Terra do golf, com dezenas de campos espalhados pela cidade, mesmo em frente à praia. As gaivotas escocesas são mais ousadas, roubado toda a comida que estiver à vista -mesmo que esteja na nossa mão a caminho da boca. A caminho de St Andrews visitamos o Falkland Palace, o meu palácio favorito com jardins lindíssimos e recantos curiosos, cenário para românticas histórias de fantasmas.

Oban Ficámos pouco tempo na vila piscatória que me relembrou Portugal devido ao cheiro a mar. Dei um passeio pelas ruas e fiz as compritas da praxe uma vez que aquele era o último fim de semana na Escócia. Foi um milagre esticar as 30 + 20 libras durante as três semanas. Muita dieta de compras... Ainda consegui levar para casa; uma t-shirt, uma cruz celta, uma highland coo (em peluche, claro está) , três brochuras, uma boina, a Nessie (o mostro do lago tamanho clip on), Butterscot cookies (hummmmmm), brincos de prata (presente do Leonardo) e resmas de postais. Pedrinhas dos lochs, thistles, panfletos, boas memórias e recordações foram free of charge.

Glen Coe A viagem foi interminável mas aquele recanto das montanhas valeu cada quilómetro de viagem. Ali, na entrada das Highlands respirava-se ar puro e a história dos clãs da Escócia. O Big John contou-nos a lenda do massacre dos MacDonalds e levou-vos a um pub muito simpático escondido entre um caminho esconso do bosque.



GRADUATION


Chegou o último dia do Summer course. Preparamos uma mega festa de despedida que exigiu o esforço, imaginação e criatividade de todos. Depois da cerimónia de graduação onde recebemos os nossos diplomas, convidámos os professores e monitores a assistir à nossa cerimónia. Alunos caricaturaram professores (escolhi o Kieran com a famosa frase: “Today we’re gonna watch our beloved Celtic!”- sotaque e cachecol incluídos). Fiquei encarregue de criar a brochura: “HOW TO DANCE without Brusing or killing your partner”, oferta para o Malcom. A Sandra fez um lindo discurso, montamos um buffet, oferecemos lembranças. Correram muitas lágrimas, trocaram-se emails e moradas e as despedidas foram difíceis. Especialmente para o jovem parzinho Dean e Vera, separados no aeroporto pela distância e a nacionalidade. Assim é o summer love.

A minha paixão de Verão foi a Escócia que ficou para sempre no meu coração. Pela fascinante História e beleza do país, pela simpatia dos escoceses, pela união e camaradagem do grupo português com os monitores e professores, pela experiência única de viajar sozinha pela primeira vez A viagem que tornaria possível todas as viagens que a procederam, o ponto de partida para o TRIPSPOTTING...