backpacking my way through...

Friday, March 16, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN THEM #4

STILL ON THE BUS (ARGH) 

Já é de manhã quando chegamos a CHICAGO para (mais uma) mudança de autocarro e tomar o pequeno almoço. Pareço zombie em filme de terror série B. Está um frio que vai para além do meu conceito consciente de frio. A cidade está coberta de neve e não é coincidência chamarem a Chicago “the windy city”. 

 Já a caminho de Wisconsin, aproveito o trajecto letárgico do autocarro devido ao trânsito para conversar com o Jason e conhecer os novos companheiros de autocarro. As minhas preces foram ouvidas, as Manas bêbadas que nem cachos haviam ficado em Chicago. AMÉN! À nossa frente: “The Pillow girl”, uma loura simpática que viaja sempre com uma almofada (esperta!) e um rapaz de poucas falas. Ao nosso lado, um dude de Seattle e uma loirinha estilo Barbie universitária, a caminho de Minneapolis para visitar “high school boyfriend”. 

 Discute-se o empate Bush /Gore. Jason é o único a pensar que George W Bush será um bom presidente e todos nós achamos que Gore é o genuíno vencedor. O rapaz de Seattle está , claramente, a ‘bater couro’ à Barbie Universitária. Disserta sobre o sua participação numa boys band, o seu divorcio aos 19 anos(?!) e a sua vida de aventura e crime. 

 Fala-se de quem mais sofre numa relação: homens ou mulheres. The Pillow Girl conta o caso do marido da irmã, que estava grávida, e teve o desplante de dormir com uma gaja no dia do parto da mulher. Jason, desabafa que as mulheres têm uma maneira “cruel” de “emotionally cripple a guy”. Testemunhando o “bater couro” do dude de Seattle, ficamos com a sensação que a bola está no nosso lado e, segundo o Jason, “that guy is full of shit and she’s buying it”. Impossível ‘cair’ em tamanha flagrante baboseira, é a minha opinião. 

Estou farta de restaurantes de Fast Food! Deito hambúrgueres de filete de peixe, chocolates e bolachas ‘pelos olhos’. A troca de palavras nestes restaurantes é sempre a mesma: 
“I would like a fish stick hamburguer” – peço 
“With fries?” inquire o empregado/a 
“No.” 
“Do you want sauce?”
 “No.“
“Want a drink 
“No!…Listen I know its ‘weird’ but I just want a fish burger, ok?!” 

 Dentro do autocarro começo a perceber as actividades ilícitas relacionadas com ‘erva’ que estão a ser desencadeadas numa operação deveras ‘BONDiana’ sob o nariz do motorista nazi. Jason pergunta se quero ler a revista “High Times”. Dou uma sonora gargalhada ao pensar que ele está a gozar com a minha cara mas, na realidade, existe MESMO uma revista que versa sobre marijuana e a “nobre” actividade de “getting high”... E ainda dizem que não há liberdade de imprensa nos EUA! Sonho com sanduíches estaladiças e queijo fatiado e não aquela bodega de queijo creme.

Playlist para roadtrip dentro de um autocarro da Greyhound (não é tão glamoroso quanto viajar num thunderbird pela route 66, mas é a versão económica. Mas inclui mixtape cassete áudio para ouvir no voice recorder.

 
  ESTOU FARTA DE ESTAR NESTE AUTOCARRO!!!! Já esgotei todas as cassetes de Jewel e Soul Asylum e estou aborrecida de morte Na nossa 4ª ou 5ª paragem (o cansaço mental impede-me de saber com precisão) consigo telefonar à Jen e combinar onde nos encontrarmos. (ufa!) Quando entramos em St Paul, o entusiasmo sobe sobre o meu cansado espírito ao pensar que dentro de horas estarei a assistir a Soul Asylum ao vivo e, muito possivelmente, conhecê-los pessoalmente. 

 Acho estranho ler numa tabuleta que o rio que estávamos a atravessar se chama “Mississipi” (Então o rio Mississipi não é no sul?!!?)  NOTA MENTAL: a extensão dos EUA é imensa e um rio pode muito bem atravessar uns quantos Estados. 

 A entrada em Minneapolis é triunfal, o sol brilha e a cidade é arquitectonicamente belíssima com imensos arranha céus, algo que nunca imaginei existir em Minneapolis. Os meus companheiros de viagem falam de um tal “Mall of America” (o maior dos EUA). Achamos estranho haver guindastes e construções por toda a cidade. Entrámos na gare rodoviária, vejo a Jen, reconheço o Tim da janela do autocarro. Começo a pensar como raio hei de cumprimentar este pessoal?! “Olá” e “Adeus” nos Estados Unidos são uma tortura porque eles não aderem ao ‘formato’ beijo na cara e um aperto de mão parece-me sempre demasiado formal e parvo. Tinha brincando com o Tim ao dizer, por email, “NO KISS FOR YOU!” 

 As casas de banho das rodoviárias são a minha salle de bain privada. Nestas alturas, contrária à opinião do meu médico, acho bastante saudável não suar. Também com o frio que está, essa seria uma hipótese remota...mas, 32h dentro de autocarro são 32h. 

 Seguimos para o restaurante Old Chicago onde me esperavam os membros do Clube dos Soul Asylum. O Phil parece-me mais forte do que o imaginava e a Jen é uma querida e o Tim é um porreiro. Todos haviam lido o meu post e sabiam que estaria “dead tired”. Acharam-me “hyperactive” (bruxo, com 7 anos de espera para ver Soul Asylum acumulados) 

Comi a mais deliciosa lasanha vegetariana que me fez esquecer toda a comida “lixo” dos malditos restaurantes à beira de auto estrada. O Todd não apareceu com os bootlegs de Soul Asylum que tinha pedido. 

 Fomos para a fila do Fineline. Estava frio que se tolerava. Vê-se neve acumulada na beira da estrada e acho piada ver a neve toda negra. Segundo a Jen, “Snow isn’t that nice this time of year.” O tempo de espera é preenchido com conversas sobre filmes e concertos. Temo não conseguir entrar com a minha máquina fotográfica, não goste do concerto, entre em coma estático ao vislumbrar a banda no backstage.(MEDO! MEDO!) 

 Entro sem problemas, o segurança acha estranho ver um passaporte de alguém que mora tão longe (..."from Spain..", deve ter pensado). Havia duas bandas suporte. Já não tenho pachorra para bandas suporte, especialmente naquela altura. Ainda me aguentei na primeira banda, mas na segunda já estava com a cabeça deitada no amplificador. 


  “OH NO!!! She’s going down!” brincou o Tim ao meu lado. Eu sorri, garantindo que quando chegassem os Soul Asylum estaria “wide awake!” E como! O Fineline era um recinto estilo Paradise Garage, o palco não tinha mais de um metro de altura e estávamos mesmo em frente. Estávamos tão perto que, se não tivesse cuidado seria pisada pelo Karl Muller e levava com o suor do Dave Pirner na cara!  

A realidade provou ser bem próxima dessa previsão. Assim que a segunda banda desapareceu do palco eu acordei estilo mola de “cracker jack” e não parei até a banda sair do palco. Depois do concerto, fomos para o backstage, cortesia da Jen e, confesso, ser recebida à porta pelo Dave foi uma experiência totalmente surrealista. Lembro-me estar fixada nos seus belíssimos olhos azuis e reagir como uma velhinha que agradece o jovem escuteiro que abre caminho para ela. Estranhamente não entrei em coma logo ali. 


 Passeámos pelo backstage que estava à pinha, falei com o Ian (novo baterista) sobre a Escócia (ele é britânico). Vi o Dan no sofá com uma rapariga e pensei ir até lá dizer um “Hello” mas fiquei pelo pensamento. Não sei bem como, mas tive o Karl à minha frente, intrigado com o que alguém lhe havia dito sobre mim. 

  “You came from Portugal?!” 
“Travelled 32h on a bus to see you guys?” 
“Why?!”
“To see you! I’ve waited 7 years to see you!”
 "Why"
“Cause you rock!” 

 Fomos interrompidos. Voltei ao Ian que estendeu o convite para o segundo concerto deles. Disse que ia tentar pois tinha viagem marcada para Los Angeles. “We’d love if you could come!” disse A minha consciência convencia o meu cérebro a (nem sequer!) pensar na insanidade de regressar a Minneapolis para um segundo concerto, por mais incrível e excitante que fosse. 

 Durante uma meia hora, fiquei no sofá a beber refrigerantes. Infelizmente os bufets dos Soul Asylum não incluem fruta como os dos Silence 4. Chegou a hora de nos irmos embora. A Jen quis despedir-se do Dave que gozou com ela por esta confessar viver em Coon Rapids: “Hey, that’s not Minneapolis!!

Finalmente, consegui ter 2 minutos de conversa com ele ao sermos apresentados convenientemente. Alguém lhe disse que era portuguesa e tinha vindo de propósito para o concerto (acho que foi o Tim). 
 
“Wow, really?!” perguntou 
“Yes, travelled 32h on a bus to be here” 
“You went all the way from Portugal on a bus?!?” gracejou 
“No! from NYC” 
“Why didn’t you take the train?!” 
“Cause its more expensive…” (DUH) 

 Aproveitei para mencionar que tive pena por não ouvi-los tocar “Chains” a minha favorita. Ele disse que já não tocavam isso desde... …

“1994, in Barcelona, Spain” completei. “Unfortunately I missed the opportunity to see you there...”

Fomos interrompidos, de novo. Tinha ali o gajo a jeito, pronto para termos uma conversa interessante e o estúpido do baixista da banda suporte rouba o meu spotlight sem dó nem piedade. 

Tínhamos de ir, apenas atirei um “Bye, great show. Nice to meet you” estilo ‘palavras ao vento’ com plena consciência que ele não ouviria mas, ao voltar costas para ir embora, aconteceu algo que só pode ser devidamente percepcionado, imaginando a cena em câmara lenta, como nos filmes. Ele puxa-me o braço suavemente, olha directamente nos meus olhos, abre um enorme sorriso e diz : “Thanks for coming to the show. I hope to see you next time…”

E foi assim que mandei a consciência para as urtigas e obriguei o cérebro a assimilar as palavras: “I’m going to the second show!” (Nunca subestimar o poder de uns enebriantes olhos azuis...)

Thursday, March 15, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN day#3

ON THE BUS 

Não acredito que isto me esteja a acontecer! Levantei-me com 2 horas de antecedência, não me atrasei, cheguei ao refeitório com tempo de sobra para tomar o pequeno almoço. PORQUE RAIO saio do hostel com o relógio a assinalar 20 tenebrosos minutos para as 7h (hora marcada do autocarro). 

 Corro que nem vampiro a fugir da luz, clamando aos céus. Por Favor, faz com que o autocarro se atrase”.Cheguei às 7.05h à porta de embarque e o autocarro não estava lá. Não queria acreditar, pensei estar num pesadelo do qual esperava acordar a tempo de ouvir uma resposta negativa à pergunta “O autocarro para Minneapolis das 7h já partiu?” Nunca três letrinhas Y, E e S magoaram tanto. Tinha gasto 20 contos num bilhete para chegar no dia do concerto de Soul Asylum e seria um milagre encontrar outro autocarro que chegasse a tempo. Choro compulsivamente, reflexo de uma sobrecarga de stress, cansaço, pânico, desilusão por não perceber como me havia me descuidado com as horas quando estava tudo planeado ao minuto. 

 No balcão das Informações, o milagre que precisava. Um autocarro partia às 10 horas, mas levaria 32 horas a chegar a Minnieapolis o que significava chegar a tempo do jantar com a malta do Yahoo Group e seguir directa para o concerto no Fineline. Não teria tempo de tomar banho, descansar, ou deixar a mala na casa da Jen. A Soul Asylum fan, gotta to do, what a Soul Asylum fan gotta do!..


Post on “O’ jeez, its Soul Asylum” Yahoo group 

ATTENTION everyone hanabi_pt 3/15/01 9:07 am This message goes out to all of you coming to the concert on friday. I missed my bus to mpls (yes..i'm in terror too) but I managed to get on the next one. I'm arriving just in time for dinner but I’ll be smelly grumpy and in comatose state. After 2 days travelling on a greyhound bus I’m gonna be really smelly!!!! lol 
 P.S - We portuguese are never on time for anything... I think it’s a curse lol 

ALL ABOARD GREYHOUND!

 Uma das desvantagens deste percurso (para além de durar 32h!) é fazer o desvio por BUFALLO, contabilizando um total de 3 mudanças de autocarro. ARRE! 

Tento telefonar à Margaret que vive no Canadá (visto estar perto da fronteira do Canadá) mas não obtenho ligação. 

 A bordo do novo autocarro, seguem duas mulheres perdidas de bêbadas, vestidas como um árvore de Natal (conveniente, caso desmaiem de coma alcoólico), do mais desbocado possível. Nome de Código: “Manas bêbadas que nem cachos”. Ainda um casal que tem tudo a ver com a palavra “White Trash” e miúdos que pareciam ser alimentados por baterias duracell com MUITO MAU feitio. 

 Sentado ao meu lado, na primeira fila, ao lado do condutor, um matulão alto, bem constituído, cabelo rapado, com pêra, óculos escuros, voz intensamente grave, com tatuagens espalhadas pelo corpo e phones nos ouvidos. 

 Aspecto: assustador. 
Temperamento: acolhedor. (olha, rimei!). 

Chama-se Jason e disse estar a fugir das “manas bêbadas que nem cachos”. 

 “Wise decision!” Concordei. 

 Imaginei as conversas interessantes que poderia ter sobre um gajo com tatuagens cool espalhadas pelo corpo, mas era noite, estava de rastos e embora o Jason fosse um gajo porreiro, ambos optamos por colocar os phones nos ouvidos e adormecer. Ele ao som de uma banda heavy, eu ao som de “Ornatos Violeta”. 

 23h, paragem em CLEVELAND para mudança de autocarro (again) Aproveito para escrever postal para a Joana, sentada na mala maravilha.




“Nice handwritting!” afirma o Jason, ao meu lado na fila para o novo autocarro  



A bordo do novo autocarro, o motorista nazi lança-me um ‘evil look’ ao comer uma bolacha “Don’t want no litter on my bus, ya hear?!?!” ruge. ARRE! 

 Sentar num estreito banco de autocarro com desconhecido ao lado, não ajuda o meu plano de dormir todo o caminho até Chicago. WHY GOD, WHY!?!??! 

Desconfio que o Jason não se importaria se utilizasse o seu ombro como almofada, mas não convém dar “ideias erradas” a gajo alto, rijo com voz grave e dezenas de tatuagens espalhadas pelo corpo. Eu tenho 1.58, fraca de braços e plena consciência que até os serial/rapists killers viajam de autocarro... (AH POIS...)

Wednesday, March 14, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN THEM # 2

NEW YORK, NEW YORK 

 Aproveitei a manhã para tratar de aspectos logísticos enquanto esperava que a Agência de Viagem do Hostel abrisse. Comprei selos, metrocard, bilhete para a Estátua da Liberdade e deambulei pelos corredores. Admito que a televisão na sala irrita-me profundamente, sobretudo tendo como controlo remoto a “Gorila Australiana”. Quem, no seu perfeito juízo, quer ver “The Jerry Springler Show” às 9 da manhã?!?! 

NUNCA, mas nunca, planear comprar bilhetes para voos domésticos no país para o qual viajamos. A sério, é meio caminho andado para um esgotamento nervoso. O período de férias deveria ser RELAX e não STRESS, com preocupações do género: Aguentar 28h de viagem de NY a Minneapolis num autocarro, conseguir um avião para Los Angeles de manhã e regressar a tempo de apanhar o avião de Nova Iorque com destino a Frankfurt para enfrentar um período de espera de 9horas até apanhar o avião de regresso ao belo do Portugal. UFF. 

 Depois de muitos suspiros de impaciência da rapariga da agência de viagem, ficou estabelecido que partiria para Los Angeles no aeroporto de La Guardia do dia 21 às 8h da manhã pela ‘módica!’ quantia de 355 dólares. Despachada e sem planos - Como é possível estar cansada antes de começar as férias?! Na minha experiência, a palavra “férias” significa: dobro do tempo para descansar das férias - sigo para Downtown pela estação de Bowling Green.  

Soube de uma tour grátis na Grand Central Station e não perdi a oportunidade de espreitar os segredos da mais bonita estação da cidade. O pormenor interessante foi no tecto, limpo na última remodelação feita, deixaram uma área não limpa para perceber como a poluição ao longo de décadas escondeu as  imagens simbólicas das constelações. Lamentalmente a minha compacta e lente 50mm não conseguiram captar a grandeza da estação.



 É reconfortante saber como funciona o complexo sistema de metro de Nova Iorque - uma vantagem de ser repetente. Estranhamente continuam a pedir-me informações sobre as linhas em espanhol. “I’m a tourist, no lo se...” (Desenrasque-se!) Ainda me lembrava da “Downtown tour” feita, o ano passado, e fui percorrendo o mesmo caminho, desta vez com uma máquina e lente teleobjectiva extra a tiracolo Battery Park - County Hall - Wall Street - Trinity Church 

Contorno uma das Twin Towers. Aquela zona residencial, de algum modo, faz-me lembrar os prédios modernos de Lisboa. Os ramos das árvores estão ‘adornadas’ por dezenas que sacos que dançam ao vento fazendo-me lembrar a minha cena favorita de American Beauty . Retorno ao Times Sq, já ao anoitecer. Aproveito para tirar fotos.




 No regresso ao Hostel, preparo tudo para a minha (longa) viagem para Minneapolis . Segundo o meu (ainda não encadernado) Travel Book, esperavam-me 6 estados: New Jersey (NJ), Pennsylvania (PA) Ohio (OH), Indiana (IN), Illinois (IL), Wisconsin (WI) num total de 32 horas num autocarro. 


 PLANO DE VIAGEM 

Partida às 7 da matina, chegada a Minneapolis às 3 da tarde. Muito simpática, a Jenifer ofereceu a sua casa para eu dormir depois do concerto de Soul Asylum. Teria tempo para tomar duche depois de longa viagem, descansar com baterias carregadas para o concerto para o qual havia esperado 7 anos! Confirmei todos os pormenores: 

 Hora de me levantar e preparar (check) 
Caminho mais curto para o Port Authority (check) 
Mala pronta (check) 
Lista de telefones assente no travel book (check) 

Por estar em sintonia quanto ao ódio de estimação pela gorila australiana, meti conversa com rapaz que viveu em Espanha e diz ter adorado o povo ibérico (raras palavras vindas da boca de um americano)   

Post on “O’ jeez, its Soul Asylum” Yahoo group 

  Re: Soul Asylum hanabi_pt 3/14/01 3:47 pm damn! I knew I should arrive on the 15th...Anyway, there's still the fineline show!!!! :)))) Oh, by the way, I'm alive and well, survived that 9hour flight from lisbon to NY. If you see me at show it means i survived the 28hour bus trip to Minneapolis lol Hey Todd, tape the radio show ok?!See you guys soon ruth 

p.s - if its freeezing in NY imagine in Mpls brrrrrr lol

Tuesday, March 13, 2001

USA: 3 STATES & THE 7 BETWEEN day#1

INSANE IN THE MEMBRANE 

 Fazer uma directa para tratar de pormenores da viagem, torna-se útil quando se está no avião. Estamos demasiado cansados para entrar em pânico, podemos dormir 1 ou 2 horas e gastar as restantes a ver filmes maus! Esta viagem parecia uma daquelas aventuras kamikase da qual eu parecia não fazer parte.


  5 dias e 12 horas em NOVA IORQUE Concerto de Soul Asylum em MINNEAPOLIS (28h de autocarro) Acreditação Jornalística para os Óscares em LOS ANGELES 9h para ‘gastar’ em FRANKFURT à espera do voo de regresso a Lisboa Eu e a minha mala maravilha, partimos às 7 .30 da manhã. Assentos só para mim no avião a caminho de Frankfurt. Humm. Dormir...dormir - pelo menos 3 horas até chegar a Frankfurt. “Oh Deus, porque não consegui um voo directo!” pensava, ajeitando a mala para servir de almofada algures num banco, deveras duro, da cidade alemã. Como foi possível gastar 75 contos num voo (não directo) Lx-NYC-Lx, e ainda “Deus sabe quantos dólares” em voos domésticos (ainda por comprar). O ano passado gastei 105 contos para um voo directo Lx – NYC – LA – Lx. Um aumento de 40 contos em 12 meses?! Eishhh 

  15 .30 chegada a Nova Iorque O Murtas estava à minha espera no aeroporto e entregou-me o bilhete com destino a Minneapolis que lhe tinha pedido para comprar. Eu e a minha alergia a comprar o que quer que seja pela internet. O tempo estava constantemente instável e um Sr. Frio de Rachar. Na viagem de autocarro até à Penn Station de New Jersey conversamos sobre o facto de George W Bush ter ganho as eleições quando, claramente, era vontade dos norte americanos que o Gore vencesse. Ele falou num tal de “butterfly” counting method, mas, confesso, não fiquei esclarecida. “Porquê tanta atenção concentrada no estado da Florida?” Mencionou qualquer coisa como a Florida ser um “um estado chave” pois representa uma amostra da população americana. 

  Whatever... Primeira paragem – Visitor’s center - Times sq. E-maila daqui, e-mail-la dali Consegui encontrar o caminho para o Hostel sozinha. YAY! Mas, para variar, enganei-me no metro e apanhei o já famoso Express que pára em Harlem. BOLAS! Depois de me instalar no beliche de baixo do número 302, saí para comprar o reforço alimentar, a ser confeccionado no (sempre presente) “travelling pot” (aka Tacho). Andei à procura de um copy center na vã tentativa de encadernar o meu livro de viagem, mas não fazia a mínima ideia como se dizia “Encadernação de Arame”. Parecia uma parola a tentar explicar através de charadas estilo “Guess the Name of the Thing!” Numa das lojas que entrei, encontrei um proprietário black, estilo Dread maduro, de certeza seguidor dos ensinamentos Malcom X. Mostrava destreza intelectual em cultura afro americana, mas total ignorância em cultura geral.
  
 “Portugal?!?! Isn’t that in Brazil?!” (...bem, ao menos não disse “Espanha”...) 
“Didn’t Brazil colonize Portugal?” (...foi mais ao contrário...) 

 Ele não tinha argolas de metal, nem as seguintes 3 lojas, mas “ Metal Binding” era a palavra correcta. IRRA que está frio! De regresso ao Hostel, já com o prato de jantar na mão, verifico, para meu horror, que a TV já não está na cave, mas sim na sala, onde uma australiana insana (aka gorila australiana) detém o poder do controlo remoto. HUMFT