OSCAR FEVER
Desde que a cerimónia passou a ser transmitida em directo em 1991, NUNCA perdi uma noite dos Óscares. O ano em que estava na Escócia não seria diferente, porém proporcionar a directa em frente à telly foi complicado. Nenhum canal público exibia a cerimónia, portanto de nada servia a televisão na commom room da residência.
A única possibilidade chamava-se Sky Premiere, um canal de cabo, apenas acessível no bar do St. Andrews College - bar esse que fechava à meia noite. Tentei reunir um grupo de valentes que aguentassem os olhos abertos pela madrugada fora, mas à última hora ninguém apareceu. Com dias de antecedência implorei ao guarda nocturno para me deixar ficar no bar depois da meia noite. Ele concordou, mas teria de ficar fechada à chave. Se houvesse alguma emergência, tinha o telefone. Digamos que a cerimónia dos Óscares manteve-me distraída, mas quando surgia o intervalo e olhava para o lado, apercebi-me, com algum receio, um serial killer podia fazer picadinho de Rute e não haveria telefone ou guarda a 500m de distância que me valesse.
Foi no St Andrew's College que abri a minha primeira conta de email. Via os meus colegas todos no computer room a mandar e receber emails em cada 10m e eu pensava que forma rápida de comunicar. Pensei, talvez assim recebesse mais notícias dos amigos de Portugal, já que via correio, era escasso ou reformulando, não com a mesma velocidade com que eu enviava cartas/postais. Pedi que me explicassem como se fazia e abri uma conta no hotmail. Nem todos os amigos tinham conta electrónica, mas provou ser uma ferramente útil e mais uma forma de comuniciar em português, aliada ao modo carta, fax, carta e telefone.
O mundo cibernético, revelou-se muito mais importante, pois apresentou-me uma ferramenta em voga chamada Mirc (Internet Relay Chat) um programa onde é possivel conversar com pessoas que estão em canais temáticos. Sendo fã da banda Silence4, encontrei um site português bastante completo, que me fez entrar nesse chat onde diariamente falava com portugueses, igualmente fãs da banda. O autor do canal #silence4 era um tal de Grig (aka Mário Santos) e esse foi o ponto de partida para conhecer um novo grupo de amigos que me ajudariam a atenuar as saudades de Portugal. Para aceder ao canal teria de usar um nickname, e assim nasceu hanabi, a palavra japonesa para fogo-de-artifício.
Todos os dias, ao almoço na Caledonian, após o jantar no St. Andrew's, encontravam-me na computer room a teclar em português. Os colegas iam sair à noite, ao pub, ou mesmo o bar do campus do campus e lá estava eu, criando uma rotina que só era interrompida quando, pelas 21h passavam as minhas séries favoritas, ia ao cinema ou quando o segurança delicadamente me "expulsava" pelas 23h.
Certo dia calhou teclar com um tal little_david_boy que revelou-se ser nada mais nada menos que o próprio David Fonseca (Tobias era o cão dele)
THANK YOU FOR THE MUSIC
Estava a folhear um jornal na Biblioteca da Caledonian quando vi um anúncio relativo ao concerto da Jewel em Glasgow. Tentei manter a calma e li o anúncio atentamente, 8 de Maio.. Não demorou muito para perceber que todos os planetas estariam alinhados e assistiria, pela primeira vez, a um concerto que ansiava à muito. O meu primeiro pensamento foi:
O Marco vai morrer de inveja!
O segundo foi:






