backpacking my way through...

Friday, February 26, 1999

RUTH DOES SCOTLAND February#2

HANG MAN’S DAY! (nota para a Maggie) 

  
Carta para a Maggie (part I) 



Oficialmente o meu primeiro email! Yay!




Carta para a Maggie part II


  PLAYING HOOKIE 


Depois dos primeiros dias de aulas onde andei à nora, optei por fazer gazeta numa sexta-feira e passei o dia inteiro no meu spot cultural favorito de Glasgow, Kelvingrove. Estas escapadelas culturais já aconteciam na ESCS e estenderam-se  aqui para melhor interiorizar que a minha decisão de inscrição em Erasmus, não tinha objectivo educational. Não estava ali para obter uma equivalência na disciplina que ficou para trás, mas antes uma mudança de cenário, longe da experiência desgastante do último ano na universidade portuguesa. Por fim mentalizei que a informação absorvida seria sempre uma lição de adaptação muito além da educacional. Confesso abertamente que não gostava da Calendonian , tal como E.S.C.S e quando estava na sala de informática do St. Andrew's, uma universidade que formava professores, absorvia a sua azáfama e stress de estudo e trabalhos a entregar com fascinação porque trabalhavam e moldavam criatividade como crianças grandes, aquele stress "bom" que não sentia com o meu curso. A minha experiência no campus da universidade onde não estava inscrita seria uma lição para a vida com todos os seus aspectos bons e maus. 

GLASWEGIAN DIALECT


Apesar de ser uma aula direcionada para a Gestão, gostava da aula pois o professor era muito engraçado Uma vez que a turma era constituida por alunos estrangeiros, ele ensinava a descodificar o dialecto de Glasgow, que é por comparação, o equivalente ao português açoreano. Muitas palavras e gestos variavam do inglês - americano que estava mais habituada. Aprendi palavras novas como: bloke (rapaz), Hen (rapariga), Aye (sim), knickers (cuecas femininas), snog (beijo), cheerio (adeus) - que usava bastante com o motorista do autocarro. Eu mantive o sotaque americano, mas as terminações das minhas frases fugiam para o escocês e irlandês


FANCY A FILM 



Idas ao cinema aconteciam a ritmo semanal, no início ia sozinha da parte da tarde quando fazia gazeta  já bem enturmada na residencia ia com as gals à noite. Fui com o Chris ver o This Year's Love, dado o seu amor pela banda Stereophonics que faziam parte da banda sonora. Antes do filme começar o Chris advertiu "If I start crying don't worry". Nada de choro mas imensos risos com estas personagens disfuncionais procurando o Amor. A ausência de legendas não era um problema, mas quando o filme era de origem britânica ou irlandesa, era mais complicado decifrar, quanto mais a norte fosse. Aconteceu com Little Voice e penso que até os britânicos precisariam de um tradutor para fazer sentido do discurso da Brenda Blethyn 
 


 WHAT’S COOKING? 

 Não é novidade para ninguém: a culinária britânica não prima pela variedade e originalidade. Com esta constatação em mente, planeei levar um pouco da cozinha portuguesa para as terras do haggis (não como corpo de animal, muito menos as suas partes íntimas enfiadas em tripa, argh). Qual o alimento mais português que, curiosamente, não provém de Portugal? O Bacalhau , pois claro! Sequinho, salgado, embrulhado em jornal, dentro da bagagem já em excesso de peso, aguardando pelo dia em que seria transformado em delicioso Bacalhau à Brás. De modo a não empregnar o meu quarto, deixei as 4 generosas postas em cima do armário da cozinha comum da residência. O que aconteceu é matéria de lenda! 


No meu Hall, acredito que em TODA a residência, era a única que cozinhava. Quando digo “cozinhar”, englobo toda a operação de cozer alimentos frescos dentro uma panela ou assar utilizando o forno e não o processo de obter um prato que vem de uma embalagem em pó ou em estado congelado. Não sou nenhum chef de cozinha, mas quando saía daquela cozinha, esta emanava um cheirinho a batatas assadas, arroz ou stir fry – algo que vi no menu do refeitório e decidi experimentar. Legumes cortados, cozinhados com um pouco de óleo e molho de soja acompanhado de arrozinho. Nahm nham. Foi complicado gerir as minhas refeições, uma vez que nem todos os ingredientes que habitualmente usava, estavam disponíveis para compra. Recordo o meu estatuto de (falsa) vegetariana – nada de carne, tudo peixe ou legumes. No entanto, à boa maneira portuguesa, DESENRASQUEI-ME! Omelete estilo empadão cogumelos e batatinhas era o prato mais usual, se quisesse algo mais requintado, salmão fumado com batatas assadas em azeite com alho e o já mencionado stir fry com arroz. Crepes com molho doce era o snack favorito. De cada vez que saía da cozinha, num raio de 500 metros,dirigiam-se a mim com a frase: The kitchen always smells good when you cook… Pois é, amigos, issso é porque COZINHO! Não faço sopa saída de um saco em pó, ou sirvo massa banhada em molho de tomate – Isso lá é comida?! 

Senti terrivelmente saudades de: FRUTA: Nada de maçãs “siliconizadas” com brilho de escudo acabado de sair da Casa da Moeda, bananas mutantes ou laranjas tristemente encolhidas. Fruta a sério que sabe a fruta e não alimento geneticamente transformado. PÃO COM CÔDEA: Durante 4 longos meses (+ duas semanas) suportei o sacrifício de trincar pão de forma geneticamente modificado, cuja embalagem espremida, segundo o Tom “would end up in one big slice”. Eu sonhava com carcaças quentes com a manteiga a derreter-se, pão com côdea estaladiça e torradas com pão alentejano (suspiro...).